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Friday, August 28, 2015

Ele está de Volta, por Timur Vermes



Sinopse
Berlim, 2011. Adolf Hitler acorda num terreno baldio. Vivo.
As coisas mudaram: não há mais Eva Braun, nem partido nazista, nem guerra. Hitler mal pode identificar sua amada pátria, infestada de imigrantes e governada por uma mulher. As pessoas, claro, o reconhecem como um imitador talentoso que se recusa a sair do personagem. Até que o impensável acontece: o discurso de Hitler torna-se um viral, um campeão de audiência no YouTube, ele ganha o próprio programa de televisão e todos querem ouvi-lo. Tudo isso enquanto tenta convencer as pessoas de que sim, ele é realmente quem diz ser, e, sim, ele quer mesmo dizer o que está dizendo.
Ele está de volta é uma sátira mordaz sobre a sociedade contemporânea governada pela mídia. Uma história bizarramente inteligente, bizarramente engraçada e bizarramente plausível contada pela perspectiva de um personagem repulsivo, carismático e até mesmo ridículo, mas indiscutivelmente marcante.



   Brilhante. Eu poderia dizer que o enredo desta história é simplesmente brilhante. Transbordando criatividade até nos mínimos detalhes, "Ele está de volta" traz um Hitler praticamente autêntico para os dias de hoje em pleno ano de 2011. O confronto de gerações, com os traços ávidos da personalidade deste grande ator da história da humanidade é palco para um humor ácido e curioso. 
     Nunca havia ouvido falar desta obra de Timur Vermes, contudo, no mesmo instante em que li a sinopse, não me contive em comprar este livro. Se há um fator que me chama a atenção de cara em um livro é a criatividade. Independente da categoria ou gênero do escritor, a criatividade tem a capacidade de me conquistar em poucas linhas na sinopse, e creio que este seja o caso de vários outros leitores.
     Adolf Hitler amanhece em um terreno baldio, bem vivo, na Berlim de 2011. Ele não se recorda de nada que explicasse sua presença naquele local. As ruas são estranhas, mulheres se abaixam para recolher as fezes de seus cachorros,estrangeiras, devem ser! Os carros são extremamente estranhos, as pessoas, com pressa. Os jovens, usam aparelhos que tapam os ouvidos, devem ser os turcos. 
     Com a ajuda de um jornaleiro, Hitler tem acesso à uma emissora de TV. Todos acreditam que ele seja um belo artista, bem treinado, com discursos prontos, imitador profissional do ex ditador da história de seu país. Ele é contratado de imediato pela autenticidade de aparência e argumentos. Já em maior contato com a mídia, Adolf descobre como o homem evoluiu em muitos pontos inclusive na tecnologia, e saiu perdendo em outros. A televisão está presente em todos os lares, e é o símbolo do poder de disseminação da propaganda. Os datilógrafos foram substituídos pelos teclados que instantaneamente transmitem as letras ao computador. Os celulares, por mais multifuncionais que sejam, são uma perdição. Com muitas tarefas acopladas a um único aparelho, telefone, agenda, alarme, gravador, câmera, muitas atividades são agora atreladas a este. A vida está atrelada ao celular. 
    Nessa linha de pensamento, a maior crítica do livro gira em torno do poder da mídia e seu impacto na vida dos cidadãos. Hitler é conhecido por ter subido ao poder em meio a uma Alemanha que se encontrava aos pedaços, e com seus discursos extremamente persuasivos, convenceu milhares de pessoas acerca de sua opinião contra os judeus, estrangeiros e outras minorias. Dizimou milhões, e gerou uma ferida irreparável na história alemã. Mesmo assim, retornando 65 anos depois do ano de sua morte, ao engajar-se na mídia atual, usou-se do fato de que a propaganda está continuamente presente na vida das pessoas e criou programas de televisão, semanários, livros. A Alemanha nunca se esquecerá da ferida que este ditador lhe deixou. Mas nem tudo foi ruim, te diz a mídia. A nação ariana ainda tem muito a crescer, te diz Adolf Hitler. E em breve uma nova Alemanha reconquistada cresce.
     O brilhantismo do assunto abordado nessa obra não impede, contudo, que a leitura se torne um pouco cansativa. O autor poderia ter utilizado um maior dinamismo na escrita, principalmente em pensamentos hitlerísticos, que acabam por se tornar um pouco enfadonhos. Indico o livro ao público amante da história nazista e da Segunda Guerra Mundial. 

Trechos: "Assim, podemos afirmar que hoje os leitores também só consideram sofisticado o que é praticamente ininteligível para eles, e deduzem o essencial por meio de suposições a partir do tom reconhecidamente positivo."




Depressão pós-livro: 85%
Avaliação Final: 80%

Sunday, April 5, 2015

Clube da Luta, por Chuck Palahniuk




Sinopse
Considerado um clássico moderno desde sua publicação em 1996, o livro Clube da Luta consagrou Chuck Palahniuk como um dos mais importantes e criativos autores contemporâneos, além do próprio livro como um cânone da cultura pop. O livro que estava esgotado há anos volta às livrarias nessa caprichada edição. O clube da luta é idealizado por Tyler Durden, que acha que encontrou uma maneira de viver fora dos limites da sociedade e das regras sem sentido. Mas o que está por vir de sua mente pode piorar muito daqui para frente. O livro foi filmado em 1999, pelo vencedor do Oscar de melhor diretor, David Fincher (OsHomens Que Não Amavam as Mulheres, A Rede Social), que conseguiu adaptar toda atmosfera do livro, o mundo caótico do personagem e o humor negro de Palahniuk em uma trama recebida com inúmeros elogios pela crítica e pelo público que conta com os atores Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter.


     Clube da Luta é a crítica perfeita da maneira mais perturbadora possível. É um livro que foi lançado em 1996, mas que retrata um quadro cada vez mais atual com sua forte crítica à feminização da sociedade. Se este já se fazia presente na mencionada data, imaginemos nos dias atuais o impacto que as pessoas, em especial os homens, têm sentido com a ascensão da mulher. Não me refiro à conquista dos direitos femininos, tal fato que apoio, mas sim aos reflexos que isto vem causando aos homens, que sempre tiveram uma linha certa do que seguir, e agora esta linha não é mais tão claramente definida. 
     Jack, personagem que não deixa seu nome claro em nenhum momento da história, tem uma vida a princípio boa, um bom apartamento, um emprego satisfatório. Contudo, seu eu interior nunca esteve completo. Ele sofre de insônia, e com a intenção de encontrar a própria afirmação, Jack frequenta diversos grupos de apoio a pessoas com várias doenças, como câncer terminal e tuberculose. 
     No decorrer do livro há um trecho que apresenta muito bem esse contexto de vida do personagem: "Não temos uma grande guerra em nossa geração ou uma grande depressão, mas na verdade temos, sim, é uma grande guerra de espírito. Temos uma grande revolução contra a cultura. A grande depressão é a nossa vida. Temos uma depressão espiritual. "
     Os grupos de apoio são uma motivação que ajudam a curar a insônia de Jack. Entretanto, com o aparecimento de Marla Singer nas reuniões dos grupos de apoio, sua insônia volta. Ele sabe que ela também não está doente e é uma farsa ali. 
     Em uma de suas viagens a trabalho, ele conhece Tyler Durden, reacionário anarquista que sempre pensou fora dos limites da sociedade. Em uma noite ele pediu a Jack para que simplesmente ele lhe batesse - o mais forte que conseguisse. Ali foi criado o Clube da Luta. Com o tempo, este clube estava instalado em dezenas de porões de bares, atendendo a uma necessidade interior de vários homens buscando por uma motivação quando sua posição nessa sociedade cada vez mais feminizada estava se ocultando, e as ofertas da mídia de satisfação pessoal eram uma farsa. Estes homens acreditavam que precisavam ir ao fundo do poço para encontrarem um objetivo em suas vidas - o esforço de se reerguerem novamente e se afirmarem como homens, e encontrarem o real sentido da vida. Observamos que aqui a luta foi utilizada somente como uma alegoria à motivação masculina, não que sua afirmação seja dada necessariamente através da violência. 
     O Clube da Luta é um sucesso, e vai formando uma legião de homens, que assim como Jack e Tyler, encontraram um sentido em tudo. A história reserva uma grande surpresa para o final, onde todas as peças se encaixam. 
     Um dos objetivos do autor era de construir uma obra em estilo texto teatral, uma história não contínua, mas que se sustenta por flash dos fatos. Essa estratégia de escrita, se bem utilizada, pode prender o leitor. Interpretei uma característica desta escrita como o reflexo da confusão de quem o personagem principal era - suas falas muitas vezes não eram marcadas por travessões, eram respondidas como pensamentos do próprio personagem, traço que cabia ao leitor captar o que queria dizer em cada situação.
     Vejo o Clube da Luta como uma crítica muito rica e pertinente até os dias de hoje, porém com uma abordagem um tanto perturbadora através do clássico humor negro de Chuck. É claro que a mensagem transmitida pela história é válida, mesmo pelos meios em que se apresenta.

Trechos: "Muitos jovens tentam impressionar o mundo comprando coisas demais (...) Muitos jovens não sabem o que querem de verdade. (...)  Os jovens pensam que querem o mundo inteiro. (...) Se não sabe o que quer, acaba tendo um monte de coisas que não quer."
" O que se vê no clube da luta é uma geração de homens criados por mulheres."
" O clube da luta lhe dá uma razão para ir sempre à academia, para cortar cabelos e unhas bem curtos. Na academia há sempre um monte de caras tentando parecer homens, como se ser homem significasse parecer com o que um escultor ou um diretor de arte dizem que deve ser."
"Naquela época a minha vida parecia completa demais, e talvez tenhamos que quebrar tudo para construir algo melhor em nós mesmos."
" Apenas depois de perder tudo é que você está livre para fazer qualquer coisa."
" Estou rompendo meus vínculos com a força física e os bens materiais, pois apenas ao me destruir posso descobrir o poder superior do meu espírito."
" A ideia é escolher um Joe qualquer na rua que nunca tenha brigado e recrutá-lo. Deixar que ele experimente a vitória pela primeira vez na vida. Dar permissão para que encha você de porrada. Você aguenta. Se ganhar dele, estragará tudo. O que precisamos fazer, pessoal, é lembrar esses caras da força que eles ainda têm."
" Nossa cultura nos fez sermos todos iguais. Ninguém mais é verdadeiramente branco, preto ou rico. Todos queremos a mesma coisa. Individualmente não somos nada."
" Enquanto permanecer no clube da luta você não é definido por quanto dinheiro tem no banco. Você não é o seu trabalho. Não é a sua família nem é quem acha que é."
" Há uma categoria de homens e mulheres jovens e fortes que querem dar a própria vida por algo. A propaganda faz essas pessoas irem atrás de carros e roupas de que elas não precisam. Gerações têm trabalhado em empregos que odeiam para poder comprar coisas de que realmente não precisam."



Depressão pós-livro: 98%
Avaliação Final: 91%

Saturday, December 13, 2014

O Visconde que me Amava, por Julia Quinn



Sinopse
A temporada de bailes e festas de 1814 acaba de começar em Londres. Como de costume, as mães ambiciosas já estão ávidas por encontrar um marido adequado para suas filhas. Ao que tudo indica, o solteiro mais cobiçado do ano será Anthony Bridgerton, um visconde charmoso, elegante e muito rico que, contrariando as probabilidades, resolve dar um basta na rotina de libertino e arranjar uma noiva.
Logo ele decide que Edwina Sheffield, a debutante mais linda da estação, é a candidata ideal. Mas, para levá-la ao altar, primeiro terá que convencer Kate, a irmã mais velha da jovem, de que merece se casar com ela. Não será uma tarefa fácil, porque Kate não acredita que ex-libertinos possam se transformar em bons maridos e não deixará Edwina cair nas garras dele. Enquanto faz de tudo para afastá-lo da irmã, Kate descobre que o visconde devasso é também um homem honesto e gentil. Ao mesmo tempo, Anthony começa a sonhar com ela, apesar de achá-la a criatura mais intrometida e irritante que já pisou nos salões de Londres. Aos poucos, os dois percebem que essa centelha de desejo pode ser mais do que uma simples atração. Considerada a Jane Austen contemporânea, Julia Quinn mantém, neste segundo livro da série Os Bridgertons, o senso de humor e a capacidade de despertar emoções que lhe permitem construir personagens carismáticos e histórias inesquecíveis.



     Atendendo à todas as devidas expectativas, O Visconde que me Amava está muito bem situado em meu ranking de leituras. Julia Quinn permanece com seu senso de humor intacto, e é claro, toda a imersão á Inglaterra dos anos de 1800 traz uma vivacidade e riqueza ao livro que são dificilmente encontradas nas ficções atuais.
    Anthony Bridgerton, irmão mais velho e agora chefe da grande família Bridgerton sempre fora um libertino da alta sociedade. Após casar sua irmã Daphne, ele chega aos 28 anos e decide que é hora de se casar e sossegar. Suas maiores prioridades numa mulher são gerar herdeiros, uma amiga, e cama. Nada de amor. Para ele, o amor é uma força capaz de envolver um homem e torná-lo algo que ele não tem mais controle sob. Dessa forma, ele investiga que Edwina Sheffield é a debutante mais bela da temporada. Recém chegada à cidade, ela preenche todas as prioridades do visconde Bridgerton acerca da escolha de uma mulher.
     O que o visconde também descobre é que para cortejar Edwina, terá de passar por Katherine, sua irmã, e convencê-la de que será um bom marido para ela. Dessa forma, Kate apresenta-se como uma pedra no meio do caminho, uma vez que está disposta a fazer o possível para que sua irmã não se case com ele. Ela não acredita que ex-libertinos possam se tornar bons maridos após o casamento.
     Envolto nessa jornada para alcançar sua futura esposa, Anthony encontra-se cada vez mais atraído e envolvido por Katherine. Ela não preenche de forma alguma suas expectativas numa mulher, entretanto o atrai como ninguém. Será difícil evitar que o coração tome o controle de tudo. Será isso o amor?
     Julia Quinn mantém sua maestria na escrita da época antiga; além de muito engraçados, seus livros são envolventes e muito bonitos. Sim, uma beleza diferente, não facilmente encontrada nos amores ficcionais dos clichês atuais. Para o bem dos leitores, há mais 6 livros na série, e não vejo a hora de lê-los!



Depressão pós-livro: 100%
Avaliação Final: 99%

Monday, December 8, 2014

O Duque e Eu, por Julia Quinn



Sinopse
Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade, que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Simon, porém, tem o firme propósito de nunca se casar. Assim, para se livrar das garras dessas mulheres, precisa de um plano infalível. É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo. Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga. A ideia de Simon é fingir que a corteja. Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne. Afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta. Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida.
Primeiro dos oito livros da série Os Bridgertons, O duque e Eu é uma bela história sobre o poder do amor, contada com o senso de humor afiado e a sensibilidade que são marcas registradas de Julia Quinn, autora com 8 milhões de exemplares vendidos. 



     
     O Duque e Eu é uma história que soube superar todas as expectativas que eu carregava até sua leitura. É fato que Julia Quinn é uma verdadeira Jane Austen contemporânea, tratando de romance de época como ninguém. Porém, ela vai além disso, e presenteia o leitor com um enredo divertidíssimo, personagens muito ricos e sagazes e uma história super atraente. Estar imersa nesta época de costumes tão diferentes é uma experiência muito interessante.
     Este livro inicia a série Os Bridgertons, a qual nos apresenta uma família típica da nobreza inglesas da época de 1813, que possui oito filhos que receberam nomes em ordem alfabética. Em nossa história, a protagonista é Daphne Bridgerton, quarta filha da família. Ela está participando há 1 ano do que é conhecido como Temporada, período de festas e bailes da nobreza no qual frequentam jovens senhoritas debutantes. Tais bailes são ricos em mães casamenteiras que procuram por um bom partido para suas filhas, tudo dentro dos conformes como diz a tradição. Violet Bridgerton, mãe de Daphne, está louca por um marido para a filha, e não mede esforços ao exercer sua função.
     Paralelo a isto, todos comentam em Londres sobre o retorno de Simon Basset, o novo duque que passou 6 anos no exterior viajando e agora está de volta para governar suas propriedades em Londres, uma vez que seu pai faleceu. Simon sofreu grande rejeição do pai desde criança, e por conta disso, criou uma lei para si: jamais deve se casar. O agora duque da Hastings é totalmente contra a continuação do ducado de seu pai, visto a enorme mágoa que carrega dele. 
     Para fazer jus a esta lei contra o casamento, Simon cria um plano infalível para permanecer solteiro e ao mesmo tempo não ser atacado pelas mamães casamenteiras nos bailes e festas da alta sociedade; Daphne, irmã mais nova de Anthony, seu melhor amigo está a procurar um bom marido, entretanto, todos os que se interessam por ela são pouco inteligentes ou nada dotados de charme. Dessa forma, os dois se unem, e Simon finge cortejar a senhorita, sendo que ele afasta as mães, e Daphne atrai boa atenção e bons olhos para si, uma vez que um duque apresenta-se interessado por ela. 
     A mãe de Daphne fica totalmente encantada com toda a situação, e o casal segue firme no fingimento. Contudo, ninguém é capaz de prever o amor, e exatamente por conta disso, torna-se cada vez mais impossível para os dois não se apaixonarem, enquanto um arde de desejo pelo outro.
     Esta é uma bela história, Julia Quinn possui uma das melhores escritas que já conheci. Ela soube unir a formalidade exigida pela contexto da época e ironias e diversão através de trocadilhos muito inteligentes. Este é um dos melhores e mais atraentes livros que já li, o que só aumenta minha curiosidade para os próximos livros da série!



Depressão pós-livro: 100%
Avaliação Final: 99%

Saturday, April 12, 2014

Projeto Rosie, por Graeme Simsion



Sinopse
Perto de completar 40 anos, o peculiar professor de genética Don Tillman havia desistido do amor. Para acompanhar sua rotina severamente cronometrada, com esquema de refeições padronizadas, um cronograma para a execução de cada compromisso (inclusive para a prática de exercícios físicos antes de dormir) e lidar com sua falta de habilidade social, só mesmo a mulher perfeita. E ele já sabe como encontra-la. Ou pelo menos acha que sabe. Ele desenvolve o projeto Esposa Perfeita, um questionário meticuloso que irá ajudá-lo a selecionar candidatas adequadas a seu estilo de vida. Mas quando Don conhece a jovem Rosie ele descobre que nem tudo na vida pode ser programado... e que o amor pode, de repente, vir a seu encontro.

     Há tempos almejava ler Projeto Rosie, e quando tive a oportunidade, não me decepcionei. Conheci o personagem mais hilário e criativo do mundo literário, e aprendi muito também.
     Don Tillman é um professor de genética  de uma universidade renomada australiana. Ele planeja cada segundo de sua vida, cronometra cada atividade, se alimenta segundo um Sistema Padrão de Alimentação, se exercita regularmente, nunca comete um atraso, faz de tudo para garantir o menor desperdício de tempo possível. Por ter péssimas habilidades sociais, Don busca ao máximo evitar interações com outras pessoas, e possui somente 2 amigos: Gene, também professor na mesma universidade, e sua esposa, Claudia. Sua vida começa a mudar quando ele tem a brilhante ideia de criar o Projeto Esposa: um questionário rigorosíssimo em busca da Esposa Perfeita: não fumante, não vegetariana, pontual, organizada, alfabetizada matematicamente, etc. Centenas de candidatas são analisadas. Em meio a isso tudo, Don conhece Rosie, quando ela entra pela porta de seu escritório: um exemplar totalmente inadequado ao seu perfil: fumante nas horas vagas, desorganizada, e geralmente atrasada. Depois que a conheceu, ele não foi mais o mesmo. Conectados por meio de uma pesquisa, tornam-se mais próximos, e Don descobre ter feito uma amiga. Aos poucos, Rosie vai mostrando a ele que os melhores momentos e sensações da vida não podem ser planejados ou cronometradas: simplesmente acontecem quando deixamos nossas emoções fluírem.
     Acho este livro uma obra incrível, muito bem bolada, e com um humor apreciável. A falta de habilidades sociais e a personalidade exagerada de Don tornam-o um protagonista hilário e muito engraçado. Graeme Simsion escreveu uma obra bem divertida, gostaria de ler outras obras dele. Projeto Rosie se encaixaria bem como um filme

Quer saber o que outros leitores acham de Projeto Rosie? Clique aqui.

Trechos: "Os seres humanos muitas vezes deixam de enxergar o que está perto deles e que parece óbvio para os demais."
" Por que focamos em certas coisas em detrimento de outras? Estamos dispostos a arriscar nossas vidas para salvar alguém de um afogamento e, no entanto,  não fazemos a doação que poderia salvar dúzias de crianças de fome."
"Prever o impacto das ações sobre os outros é difícil."


Depressão-pós-livro: 77%
Avaliação Final: 98%

Saturday, March 22, 2014

Le Divorce, por Diane Johnson


Sinopse
À Francesa, nome brasileiro de Le Divorce, conta a história de Isabel Walker, uma jovem americana que vai a Paris visitar a irmã grávida, Roxeanne, depois que ela é abandonada pelo marido, Charles-Henri de Persand. Ao chegar na cidade, acaba se apaixonando pelo diplomata francês Edgard, que é casado. A trama se desenvolve a partir dos problemas enfrentados pelas duas irmãs. Roxy terá que se divorciar do marido, e Isabel, além de estar vivendo um romance proibido que resultará em um grande escândalo, precisa se adaptar aos costumes e à cultura parisienses.

     Através de uma trama engraçada e ao mesmo tempo rica em tensão, Diane Johnson traz para seus leitores uma história que aborda muito bem as divergências entre as culturas americana e francesa, seus pontos fortes e fracos, contando a aventura de Isabel Walker, uma californiana que decide passar uma temporada na França com sua meia-irmã que casou-se com um francês. Roxeanne, ou Roxy, está grávida, tem uma filha pequena, e assim que Isabel chega a Paris, o marido de Roxy a abandona. O grande enredo do livro aborda a recepção das irmãs pelos franceses, e as dificuldades enfrentadas pelas famílias de Roxy e Charles-Henri, seu marido, para a negociação do divórcio. Aparentemente o divórcio não é um processo de fácil execução na França, principalmente quando se possui bens para serem repartidos. Enquanto Roxy luta para se manter de pé, mesmo grávida, nessa confusão, sua irmã Isabel envolve-se secretamente com Edgard, um homem importante no cenário político internacional da França, que é da família do marido de Roxy. 
     Este livro é como uma grande bola de neve, bem premiada com toques franceses e americanos, que ao final, estoura, chegando a consequência esplêndidas e trágicas.
     Desde o início tinha uma expectativa mediana sobre esse livro, esta que foi mudando conforme a leitura caminhava - Diane Johnson possui uma escrita suave e informativa, e isso contribuiu para que a história fosse além das expectativas que tinha. Acho válida esta leitura durante um período como as férias, por tornar-se densa em alguns momentos. Um ponto negativo do livro foi a tradução, muitas palavras foram traduzidas por palavras de um sentido não muito claro em português. Indico principalmente aos amantes de diferentes culturas.

Confira os comentários de outras pessoas sobre este livro aqui.

Trechos: " Não é fácil ser americano (...) Esta é a verdade. É difícil. Nós viemos para cá para fugir de uma obrigação moral. Somos sensíveis demais... digo, nós, os expatriados, embora deteste usar esta palavra. Quando se está de volta, e se vê o que se vê, sofre-se com isso."
"Não é nada fácil ser recém-chegado a um país do qual não se conhece a língua, e de cujos costumes ou você desconfia, ou teme."
"Se você se mantém calma quando algo está errado, as pessoas acham você fria e insensível."
" Não chego a dizer que a verdade necessariamente a tornará livre, mas é melhor do que o pietismo, porque, com ela, você conhece sua própria posição."
"Eu admiro os franceses pela maneira despreocupada com que compram, pelo seu respeito às coisas criadas pela mão humana."
"Aprendi a não deixar o amor seguir seus próprios caminhos misteriosos e fatais - é preciso dar uma orientação ao amor."
"Aqui há a noção de que a felicidade intermitente estraga os outros momentos da vida, enquanto que deveria inundá-los todos, incendiando-os com labaredas de alegria."
"Na França, gostos simples, modos educados, afeições domésticas, e a ligação que os homens sentem pelo seu lugar de nascimento são percebidos como grandes garantias da tranquilidade e felicidade do Estado. Mas, na América, nada parece ser mais prejudicial do que essas virtudes."
"Em princípio, a memória serve para informar o presente, permitindo aprender com nossos erros. Por que voltar?"
"Mas há uma diferença fundamental: vocês, americanos, pensam que se o povo quer algo, então deve ser permitido. Depois se castigam com torpeza, por terem permitido algo que vocês verdadeiramente desprezam. É esse o paradoxo que vai acabar por destruí-los."


Depressão pós-livro: 34%
Avaliação Final: 73%

Sunday, October 27, 2013

Esposa 22, por Melaine Gideon


Sinopse

     Alice e William Buckle se casaram apaixonados. Mas, dois filhos e quase vinte anos depois, Alice está entediada. Por isso, quando recebe um convite por e-mail para participar de uma pesquisa on-line sobre casamentos, ela aceita num impulso. 
Respondendo às perguntas enviadas por um pesquisador anônimo e carismático, Alice tem a oportunidade de reexaminar a história do próprio relacionamento. Protegidos pelos pseudônimos "Esposa 22" e Pesquisador 101, Alice e o condutor da pesquisa iniciam uma intensa troca de mensagens que acaba tomando um rumo cada vez mais íntimo.
Numa trama que se desenvolve através das respostas ao questionário, e-mails, postagens no Facebook, mensagens de texto e até mesmo por diálogos estruturados na forma de cenas de teatro (embora sua única peça tenha sido um fracasso, Alice ainda mantém a alma de dramaturga), "Esposa 22" faz um retrato honesto e divertido de uma mulher divida entre seus desejos e responsabilidades e as aventuras permitidas pelo anonimato da comunicação digital.

     "Esposa 22" é uma comédia romântica a qual retrata uma imagem bem comum de se encontrar nos dias de hoje: unidos por quase vinte anos de casamento, Alice e William Buckle caíram na rotina e estão entediados na relação. Como se não bastasse seu distanciamento um do outro, eles têm dois filhos adolescentes e ficam desempregados. Alice Buckle é uma personagem bem viva e moderna, está sempre conectada ao seu Facebook e e-mail. Enquanto navegava, ela encontrou em sua pasta de spam, um e-mail de um centro de estudos da faculdade da Califórnia, convidando-a a participar de uma pesquisa sobre o casamento. Ao aceitar o pedido, sua vida começa a mudar. Com o desenrolar da história, ela vai respondendo perguntas que vão ficando cada vez mais íntimas entre ela e o Pesquisados 101, designado para a pesquisa dela. Ela vai se conhecendo melhor, e tendo um apoio e alguém para conversar, o que não encontrava em seu casamento.
     Após um tempo, a Esposa 22 (seu nome durante a pesquisa), tem que tomar uma importante decisão, pois acaba se envolvendo demais com o Pesquisador 101.
     Melanie Gideon presenteou o público com uma narrativa bem dinâmica e gostosa de ler, como uma leitura de fim de semana. Faz-nos refletir sobre o mundo moderno e sobre questões principais de um casamento e de uma família.
     Apesar de a história criar toda uma expectativa para um final mais surpreendente, indico o livro a todos os públicos, principalmente a jovens casais.

Trecho: " Às vezes a gente só precisa chamar as coisas por outro nome para conseguir que os homens  concordem com a gente."
" Um dia você vai olhar pra trás e perceber que essa é a melhor fase da vida. Sempre em frente. Sempre algo para fazer. Alguém esperando você entrar pela porta."
" O amor não é um copo de refresco vazio que se enche de novo magicamente. A gente mesmo tem que tratar de encher. Esse é o segredo do casamento."
" Esperar é uma arte em extinção. O mundo agora anda numa velocidade de fração de segundos, e eu, por acaso, acho isso uma pena, pois parece que perdemos os prazeres mais profundos de partir e voltar."
" Mas há momentos na vida que você tem que saltar. E quando você não tem coragem de saltar, bom, alguém acaba aparecendo e empurra você janela abaixo."
" A guerra nem sempre é óbvia, ainda mais quando a pessoa está em guerra consigo mesma."
" Você percebe que tudo muda quando sabemos os nomes uns dos outros. É fácil revelar o nosso eu verdadeiro a estranhos. Muito mais difícil é revelar essas verdades para quem a gente conhece."
" Já lhe ocorreu que casamento é uma espécie de Ardil 22? Aquelas coisas que no início você achava tão atraentes no outro - sua melancolia, sua ruminação, sua inabilidade para se comunicar, seu silêncio -, essas coisas que você achava tão encantadoras no começo são justamento as mesmas que te levam a loucura vinte anos depois?"
" A humilhação é uma opção. Não opte por isso."


Depressão pós livro: 90%
Avaliação Final: 95%

Friday, February 15, 2013

Diário de dois viajantes, por Flávio Henrique P. da Costa


    Sinopse
     ''O Diário de Dois Viajantes é, primeiramente, um guia para os viajantes, com dicas interessantes para um melhor planejamento de sua viagem, tais como elaboração do roteiro, sites úteis para compra de passagens aéreas e reserva de hotéis, procedimentos nos aeroportos e muito mais!
     A segunda parte do livro relata, de maneira divertida e com os devidos incrementos culturais, a nossa passagem pela Europa, em viagem realizada entre 16 de Dezembro de 2006 e 3 de janeiro de 2007. Chegando inicialmente em Roma, a Cidade Eterna, conhecemos a capital mundial do catolicismo, o Vaticano, para, em seguida, conhecermos Londres, com toda sua tradição e modernidade; passamos um Natal maravilhoso em Berlim, junto a entes queridíssimos,e pudemos ver de perto a constante reconstrução dessa cidade surpreendente; Praga, a capital da República Checa, se revelou linda e adorável a esses dois cariocas; e, ogrand finale, foi flanar pela capital mundial do romantismo, Paris, com seu idioma irresistível, suas avenidas largas, sua história e sua cultura. E tudo isso com direito à mala perdida, voo cancelado, confusões dentro do avião, neve e outros fatos não menos engraçados.''
 
     Desde o início, ''Diário de dois viajantes'' já chamou a minha atenção pelo seu título; viagem, nada melhor do que viajar.
     Encarando o leitor como seu melhor amigo, Flávio Henrique se utiliza de uma linguagem bem descontraída, usual, e acima de tudo, engraçada; esbanjando ''!!!!'' e "???'', sem contar o " LEDO ENGANO", que já era sinal de confusão. Como se já não bastassem as situações mega engraçadas. Aliás, ainda me pergunto como alguém é capaz de se meter em tanta encrenca ao mesmo tempo! ( Espero que não seja tão difícil assim andar de metro na Europa ).
     Em plena Europa, Flávio e sua esposa prezavam a economia. O café da manhã do hotel virava almoço; ao pegar vários ketchups no restaurante, atitude bem brasileira, Flávio quase entrou em pânico ao descobrir que custavam 20 centavos de euro cada um. E leiam-no positivamente, isso tudo dá um toque bem divertido ao livro!
     Uma das coisas que mais admirei no livro, além das descrições dos locais, e da viagem em si, foi a relação entre Flávio e sua esposa Anna Karina. A maneira como o autor se referia á ela, com '' Meu anjo'', ou ''Minha linda'' deu um toque bem fofo á viagem. E acho difícil ainda existir algum homen que pare no meio da PIAZZA, Itália, para simplesmente fazer uma massagem nos pés de sua mulher. Incrível!
     Acho interessante a escolha das cores da capa, relacionando-se com as bandeiras dos países visitados, e do Brasil.
     ''Diário de dois viajantes'' é uma aventura super engraçada, que, além de conter uma sessão especial de orientação para pré - viajantes, com informações valiosas, nos mostra que mesmo nos piores momentos, quando realmente tudo dá errado, e dá aquela vontade de desistir ou se enfurecer, devemos parar, sorrir, e simplesmente curtir.

Trecho: Berlim, restaurante grego. '' Abrimos o cardápio e... bem, marque a opção abaixo que você acha que aconteceu:

1) (  ) O cardápio estava todo em alemão.
2) (  ) O cardápio estava todo em grego.
3) (  ) O cardápio estava em ambos os idiomas, o que facilitou a compreensão.
4) (x) Somente a primeira parte da terceira opção é verdadeira.''

Depressão pós-livro: 60%


Avaliação Final: 93%