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Saturday, May 21, 2016

Cruzando o Caminho do Sol, por Corban Addison

Cruzando o Caminho do Sol

Sinopse

Sita e Ahalya são duas adolescentes de classe média alta que vivem tranquilamente junto de seus familiares, na Índia. Suas vidas tranquilas mudam completamente quando um tsunami destrói a costa leste de seu país, levando com suas ondas a vida dos pais e da avó das meninas. Sozinhas, elas tentam encontrar um modo de recomeçar a vida. Mas elas não devem confiar em qualquer um...


     Se eu tivesse que descrever esse livro em uma única palavra, diria "poderoso". Há uma força, uma energia que percorre suas páginas que não sei exatamente de onde vem. Talvez dos mistérios do hinduísmo, do amor da fraternidade, ou da perseverança e desalento causados por uma tragédia. Esse é aquele tipo de livro  que costuma ser julgado pela capa, e acaba indo totalmente contra o que parece ser, confirmando o dito popular de que "as aparências enganam".
     Ahalya e Sita viviam uma boa vida no litoral de Chennai, no extremo sul da Índia com sua família. Seu bangalô localizava-se a 1,5 km da praia, onde sempre brincavam e passavam o tempo juntos. Numa manhã, de forma totalmente inesperada e brutal, o litoral onde vivem é atingido por um tsunami, devastando tudo o que elas conheciam como casa e proteção. Ao sobreviverem às grandes ondas com muita dificuldade, os primeiros golpes contra sua estabilidade vieram: seus pais e sua família estavam destroçados pela força das águas, seus corpos já sem vida. Dali em diante teriam somente uma à outra. A destruição de seu mundo só começara.
     Ao buscarem ajuda, foram terrivelmente enganadas e levadas para o caminho da escravidão sexual e abuso na cidade de Mumbai, a vários km de distância de Chennai, local onde a prostituição infantil é absurdamente proliferada. 
     Apoiando-se em sua fé em Lakshmi, uma deusa hindú, as jovens são submetidas a situações traumáticas e desumanas. A mais jovem, Sita, é comprada por um homem e seu destino por pelo menos dois meses resume-se em tráfico humano. 
     Enquanto isso do outro lado do mundo um advogado de uma empresa renomada, Thomas Clarke, passa por uma situação conflitante em sua vida profissional e pessoal. Sua esposa o abandonara e as peças do jogo não estavam favoráveis a ele em seu trabalho. Com os devidos encaminhamentos da vida (ou do autor), ele viaja à Índia para passar pelo menos um ano trabalhando em uma ONG que lida com o combate ao tráfico humano nas regiões mais vulneráveis da Índia. Aliado a isso, ele também pensa em resolver sua crise no casamento, visto que sua esposa é de origem indiana e agora vive novamente com a família. 
     As vidas das irmãs Ghai e de Thomas Clarke se conectam de uma forma brilhantemente traçada; enquanto as primeiras buscam desesperadamente por restaurar o que restou de suas vidas, o advogado busca um significado de fato pro que faz. Será que perder noites e fins de semana trabalhando no caso de vários clientes que prometem uma grande quantidade de dinheiro, ou em prol de um chefe que assegura uma promoção na empresa, à custo de destruir seu casamento e no fundo construir uma vida vazia, vale a pena? Será que seria o carma de Ahalya  perder sua família numa tragédia e ser explorada diariamente, além de se desesperar continuamente sobre o paradeiro de sua irmã? 
     "Cruzando o Caminho do Sol" é uma trama forte e muito bem trabalhada. E acima de tudo, levanta o debate e questionamentos sobre um dos maiores e horrendos problemas globais hoje em dia: comércio sexual de menores e tráfico humano. Admiro o autor por trazer à tona esse assunto muitas vezes evitado nas discussões internacionais, e até mesmo locais, por ser uma questão muito difícil de ser combatida e muito forte nas redes do submundo. É honrosa a capacidade que o autor teve de trabalhar esse tipo de questão, criar uma ficção que envolve o leitor absurdamente em uma aventura alucinante com um final 'esplêncido', e ainda, de conscientizar a comunidade literária sobre tais questões críticas. Mais do que interter, ele te toca. Ahalya e Sita nos mostram um mundo que a maioria de nós desconhece. Thomas nos ensina que viver uma vida vazia por um bem individual pode não ser o caminho mais certo. 
     Indico a leitura a jovens adultos e a todos aqueles que querem desenvolver uma melhor compreensão do outro. Não se arrependerão.



Trechos: "O submundo é tão grande quanto o mundo real."
" A guerra pode se vencida. Mas não colocando os traficantes atrás das grades. O tráfico vai acabar quando os homens deixarem de comprar mulheres. Até lá, o melhor que podemos fazer é vencer uma batalha de cada vez."



Depressão pós-livro: 100%

Avaliação Final: 100%

Sunday, April 10, 2016

Recomeço, por Cat Patrick






Sinopse

Tudo começou com um acidente de ônibus. Daisy Appleby era pequena demais para lembrar — tem apenas flashes do acidente que a matou, e de ter sido trazida de volta à vida. A partir daquele momento, ela se tornou uma das catorze crianças que fazem parte de um programa secreto do governo que visa aprovar um novo medicamento: o Recomeço.


     Sem dúvidas Cat Patrick, mesmo sendo uma autora de estreia já conquistou minha estante e meu alto conceito em leituras dinâmicas e criativas. Este é o segundo livro que leio dela, tendo ele mesmo sido escrito enquanto a autora ainda terminava o primeiro, Deslembrança. Ao meu ver, o que há de mais rico em suas histórias é o enredo, sempre muito criativo. É comum encontrarmos a mesma linhagem de histórias nas estantes de livrarias e bibliotecas, e o que gosto em Cat Patrick é o fato de que ela foge dessas linhagens normais, trazendo abordagens atrativas e diferentes.
     Daisy Appleby morreu quando tinha apenas 4 anos de idade em um acidente envolvendo seu ônibus escolar. Outras 14 crianças morreram junto com ela na ocasião. Hoje Daisy acaba de se mudar para Omaha, onde começará a construir sua vida mais uma vez. 
     Daisy e as outras 14 crianças do ônibus, logo após o acidente entraram para um programa secreto do governo chamado Recomeço. Como cobaias de testes de laboratório, estas crianças foram submetidas ao medicamento de mesmo nome (Recomeço), que visa dar um fim à morte. Ao morrerem no acidente, foram 'ressucitadas' pelo remédio. O governo possui a intenção de liberá-lo a toda população, mas enquanto ele ainda está em fase de testes, é extremamente secreto e sua existência não pode ser revelada.
      Após ser picada por abelhas em sua antiga cidade, Daisy morre novamente, sobrevive graças ao Recomeço, e ela e sua família (agentes do governo) começam uma nova vida com novos nomes em Omaha. Nessa nova cidade, a jovem constrói uma forte amizade com Audrey, que se torna sua primeira amiga fora das crianças do ônibus. Ela, por sua vez, sofre de câncer, e a incapacidade de Daisy de usar o Recomeço na amiga desperta uma onda de questionamentos acerca de tudo em que ela já acreditou. 
     Ao aproximar-se da amiga e apaixonar-se pelo irmão dela, com seus novos laços Daisy passa a questionar e descobrir informações acerca do programa Recomeço que não fazem sentido, e podem por em risco tudo o que ela acreditava, e em risco toda a sua vida - neste caso, não a vida física, mas a história que ela construiu até hoje.
     Em uma aventura de descobertas e questionamentos, Daisy descobre o verdadeiro amor e amizade e o poder que eles têm em mudar nossas vidas. Indicado para todas as idades, Recomeço é uma leitura fácil, dinâmica e criativa.




Depressão pós-livro: 60%
Avaliação Final: 85%
     
     

As Consequências do amor, por Sulaiman Addonia



Sinopse

Jidá, fim dos anos 1980. Depois de turbulência política em sua terra natal, Naser, um jovem eritreu de 20 anos, foi obrigado a emigrar para a Arábia Saudita. Lá as mulheres vivem escondidas sob véus, os homens possuem plenos poderes, e a justiça dos ricos e poderosos prevalece. Naser cresceu em um clima brutal; seus menores gestos e movimentos são vigiados pela polícia religiosa, enquanto a vida é ritmada pelos sermões estridentes do implacável imame da mesquita local. Inesperadamente ele recebe uma mensagem de amor escrita por uma desconhecida. Desafiando políticos e líderes religiosos, Naser se entrega a essa paixão, arriscando sua vida se for descoberto. Uma comovente história de amor proibido, em uma Arábia Saudita efervescente e opressiva.


     Um dos livros mais surpreendentes que já li. Uma história que contraria clichés islâmicos e amores proibidos; que tem o poder de tocar em qualquer leitor apaixonado pelo amor - ou pela sagacidade em persegui-lo como seu último fim. 
     "As Consequências do Amor" foi um livro que comprei por acaso e fiz leitura conjunta com uma amiga muito querida. Primeira experiência que tenho do tipo, e que diga-se de passagem, mostrou-se ser uma estratégia muito enriquecedora.
     Naser é um rapaz eritreu que ainda quando criança foi obrigado a deixar a mãe em sua terra natal, e emigrar para a Arábia Saudita por motivos de conflitos políticos, onde passou a viver com seu tio e seu irmão mais novo. Em Jidá a vida não era fácil; os mais ricos e poderosos ditavam as leis e os civis eram controlados por um sistema de polícia religiosa que visava garantir o cumprimento das 'leis da fé' estabelecidas com base no 'Islã'. Nem perto do amor e da compaixão pregados por essa crença, esse sistema tinha a real intenção de controlar os cidadãos moradores daquela região, e seu modo de vida.
     Com um background de perdas, dificuldades econômicas, abusos sexuais e injustiças, Naser não mantinha uma forte crença na religião que lhe era imposta por seu país, mas tinha aceso dentro de si uma busca pelo amor, o qual ainda era uma incógnita. A Arábia Saudita, diferente da Eritreia, mostra-se como uma nação de dominação patriarcal, onde o valor feminino é reduzido, muitas vezes inexistente e escondido. Por baixo dos véus rigorosamente arranjados para que as feições femininas não 'provoquem os homens', as mulheres formavam um grupo paralelo à existência e predominância masculina nas lideranças e nas ruas. 
     Mesmo nesse contexto controlado por ricos, poderosos, líderes e polícia religiosa, um ato de rebeldia perante a esse sistema é realizado por uma jovem de coragem, ao deixar cair um bilhete de amor ao caminhar, aos pés de Naser. Poderia ser uma armadilha da polícia? Ou uma zombação?
     Determinado a acreditar que o amor puro poderia existir, eles começam a se comunicar por bilhetes e estratégias bem calculadas para não serem pegos. E aqui está a prova da força do amor e do quanto esta pode nos alimentar nos momentos em que mais precisamos de força. Esse foi o instante em que a história de Naser de fato me conquistou; esse jovem casal lutava para burlar esse sistema que não permitia que se vissem. De pouco a pouco foram ganhando confiança um no outro, de modo que Naser passou a vestir-se com o véu (abaya) para conseguir permissão de entrada na casa da jovem, pela ala feminina. 
     O próprio ato de se comunicarem já era um desafio e prova de amor por ele mesmo. A vida da jovem desconhecida e de Naser começava a tomar rumos que sempre sonharam ao entregarem-se a essa paixão repentina, mas agora lidam com um jogo de estratégias e audácia para não serem descobertos. A jovem, por sua vez apresenta-se como uma pensadora crítica, ao apoiar a força feminina e não baixar a cabeça para o sistema que a oprime como ser humano.
     Além de um simples amor proibido e ideologia Islâmica, esta é uma história de inteligência sentimental. E o que torna o livro ainda mais rico em seus termos, é o fato de que o autor, Sulaiman Addonia, tenha nascido na Eritreia e vivido também em Jidá, na Arábia Saudita. Muitas vezes nos deparamos com histórias que abordam esses temas polêmicos, contudo são escritas não por nativos de seus meios, mas por ocidentais, que além de serem influenciados pela visão de sua própria cultura, carregam uma bagagem alimentada por uma mídia julgadora, que ao moldarem as notícias e fatos, em conjunto, tornam quase impossível que haja imparcialidade na abordagem de assuntos delicados referentes ao estilo de vida de países africanos e do Oriente Médio. 
    Um ponto interessante é como o autor deixa claro em vários momentos da história a hipocrisia que há por trás de toda a máscara religiosa de conduta correta, existente principalmente entre o imame e seus colaboradores nas mesquitas e a polícia religiosa. Sendo ele mesmo nativo dessa região, não podemos afirmar que estas informações sejam de caráter injusto. 
     Penso que talvez esta tenha sido a própria história de vida de Sulaiman Addonia. Por que não? Enquanto estamos cercados pela mídia ocidental e concepção popular que traz a ideia de inferiorização do povo de crença islâmica, é saudável que nos cerquemos do pensamento crítico e de pesquisas de fontes confiáveis acerca desse assunto.
Sobretudo, apesar de um contexto triste, esta história nos conquista e nos puxa página após página, sendo a coragem um grande atrativo ao ser humano, principalmente quando ela lhe é necessária para viver. 
     

Trechos: " - A lei, filho - respondeu-me com um suspiro -, só é aplicada contra os pobres e estrangeiros, não serve para os ricos nem para a família real."
" E como pode afirmar que a razão para impedir as mulheres de serem governantes é que somos emocionalmente fracas e sangramos? Se ele conseguisse enxergar, poderia subir ao minarete de sua mesquita e olhar para o outro lado do Mar Vermelho na direção dos países africanos, onde muitas rainhas governaram alguns dos mais eminentes reinos que já existiram. Se alguém lesse para ele livros sobre a história desses países, ele conheceria Sabá, Cleópatra, Nefertiti, bem como saberia que o antigo reino de Núbia foi controlado por rainhas durante um período muito maior que os anos que ele tem de vida."



Depressão pós-livro: 95%
Avaliação Final: 100%



Sunday, January 17, 2016

Álbum de Casamento, por Nora Roberts



Sinopse
Primeiro livro da série Quarteto de Noivas, 'Álbum de Casamento' conta uma linda história de amor, amizade e família – e daqueles momentos imprevisíveis que transformam uma imagem bonita numa verdadeira obra de arte. Quando crianças, as amigas Parker, Emma, Laurel e Mac adoravam fazer casamentos de mentirinha no jardim. E elas pensavam em todos os detalhes. Depois de anos dessa brincadeira, não é de surpreender que tenham fundado a Votos, uma empresa de organização de casamentos bem-sucedida. Mas, apesar de planejar e tornar real o dia perfeito para tantos casais, nenhuma delas teve no amor a mesma sorte que tem nos negócios. Até agora. Com várias capas de revistas de noivas no currículo, a fotógrafa Mac é especialista em captar os momentos de pura felicidade, mesmo que nunca os tenha experimentado em sua vida. Por causa da separação dos pais e de seu difícil relacionamento com eles, Mac não leva muita fé no amor. Por isso não entende o frio na barriga que sente ao reencontrar Carter Maguire, um colega de escola com o qual nunca falara direito. Carter definitivamente não é o seu tipo. Professor de inglês apaixonado pelo que faz, ele cita Shakespeare e usa paletó de tweed. Por causa de uma antiga quedinha por Mac, fica atrapalhado na frente dela, sem saber bem como agir e o que falar. E mesmo assim ela não consegue resistir ao seu charme. Agora Carter está disposto a ganhar o coração de Mac e convencê-la de que ela é capaz de criar suas próprias lembranças felizes.


     Como uma autora altamente aclamada pelo mundo literário, Nora Roberts sempre me despertou a curiosidade sobre o diferencial de suas obras com relação à outros livros da categoria de romance, principalmente pela quantidade de obras publicadas nessa linha pela autora. "Álbum de Casamento" é o primeiro de uma série de quatro livros que trazem a história de quatro melhores amigas que se conhecem desde pequenas, e já adultas são donas de uma empresa que gerencia e organiza casamentos, a Votos.
    Fugindo da realidade predominante nos meios de mídia e comunicação que expõem o homem como líder, ou sempre com uma posição superior ou privilegiada, a série "Quarteto de Noivas" de início já me conquistou por esse detalhe que faz toda a diferença ao trazer quatro mulheres como protagonistas nas histórias. 
     Desde crianças sonhando e brincando com casamentos de mentirinha, as amigas Parker, Emma, Laurel e Mac alcançam o que o destino já previa: elas fundam a Votos, empresa de casamentos bem-sucedida no seu ramo de atuação. Estando cada uma responsável por uma área específica, todas trabalham como excelentes profissionais e melhores amigas. Mackensie, a quem "Álbum de Casamentos" é dedicado, é a fotógrafa da empresa tendo um talento nato para ângulos e iluminação. 
     Por ter crescido em uma família desestruturada com um pai ausente e uma mãe que se divorciava e casava várias vezes, Mac nunca teve muita fé no amor. Ela não acreditava que os casamentos que realizava, e as fotos dos casais felizes e animados para o Grande Dia fossem de fato algo duradouro. Sendo assim, ela nutria uma desestabilização interna, em conflitos com ela mesma e com o amor em si. Quando Carter Maguire, antigo colega de escola, aparece em seu estúdio por conta de sua irmã estar se casando pela Votos, o mundo de Mac começa a ser revolucionado e ela inicia uma busca não só pelo amor, mas por si mesma.
     Acho bastante interessante a autora ter ressaltado um ponto que acho essencial para um relacionamento: cada um deve se conhecer e confiar em si como pessoa, ser completo consigo mesmo para que então possa vir a completar outra pessoa. Buscar a outra metade não sendo um inteiro usualmente leva a conflitos no relacionamentos - não necessariamente inciais. A busca pelo eu é fundamental para se chegar ao nós.
    Carter Maguire, professor de inglês na mesma escola em que cresceu, traz uma segurança que Mac desconhecia, e a compreende e respeita seu caminho de busca por si. Eles sofrem uma atração desde os primeiros momentos em que se revêem, e começam uma história que passa por altos e baixos até chegar ao ponto da constância. 
     Apesar de a história ser cativante e sua ideia muito boa, comparada com outros livros de romance (Como a série Os Bridgertons de Julia Quinn), Nora Roberts deixou a desejar em termos de conteúdo. Um fator que pode prender bem o leitor é sua escrita leve e dinâmica. Contudo, a obra poderia ser muito mais interessante e trabalhar mais afundo as lições que traz. A ideia de trazer personagens femininos marcantes e protagonistas, e um personagem masculino nada clichê é sim uma inovação para o mercado de romance, que por convenção está estufado de linhas óbvias. Como o primeiro livro que li da autora Nora Roberts, pude apreciar mais sua escrita do que sua obra, e sustento assim esperanças maiores para os próximos livros da série. 


Trechos: "Há coisas na vida que escapam ao nosso controle. Podemos fazer disso uma festa ou uma tragédia."
"Momentos vêm e vão, pensou. É o amor que une todos eles para formar uma vida."



Depressão pós-livro: 95%
Avaliação Final: 88%




Saturday, January 9, 2016

A Linha, por Teri Hall




Sinopse
Rachel vive com sua mãe na Propriedade. O lado bom é que o lugar fica longe da cidade, onde o governo opressivo é mais atuante. O lado ruim, pelo menos para a maioria das pessoas, é que fica perto da Linha – uma porção intransponível do Sistema de Defesa das Fronteiras Nacionais, uma barreira invisível que circunda todo o país.Ela pode ver a Linha através das janelas da estufa, mas está proibida de se aproximar dela. Apesar de Rachel ter ouvido incontáveis rumores sobre os perigos que existem do outro lado da Linha, ela nunca acreditou de fato neles. Até o dia em que ouve uma gravação que só poderia ter vindo de lá. É uma voz pedindo socorro. Quem enviou a mensagem? O que sua mãe estará escondendo? E até onde Rachel irá para fazer o que acha que é certo? Com uma narrativa impressionante, A Linha investiga o esforço de uma menina para tentar atravessar – não apenas a Linha, mas as barreiras que sua mãe traçou para protegê-la.


     Futurista, misterioso, distópico. Essas características de cara já me conquistaram quando esbarrei com este livro - em uma irresistível feirinha de rua. Em seu livro de estreia, resolvi apostar em Teri Hall, com altas expectativas.
     Rachel vive na Propriedade, espaço que compreende a casa de uma senhora para quem sua mãe trabalha, e onde ela acaba tendo de viver. Sem muitas informações sobre o mundo exterior, Rachel passa a maior parte do seu tempo na Propriedade, trabalhando na estufa e auxiliando sua mãe, a mesma pessoa que a ensina e passa matérias escolares. Nelas, ela aprende sobre um governo que está lá fora e é opressor com aqueles que não podem pagar por uma liberdade maior. Guerras do passado levaram à criação de uma Linha pelo governo, que delimita todo o território dos Estados Unificados, e nada nem ninguém pode ultrapassá-la, a não ser que possua uma autorização especial. Essa estratégia de controle do governo desperta muito o interesse de Rachel pelo mundo em que vive, e principalmente por ultrapassar as barreiras que sua mãe cria para protegê-la desse tempo em que vivem. 
     Há muitos rumores sobre o que há do outro lado da Linha. Centauros? Homens diferentes? Animais deformados? Rachel é uma menina curiosa que tenta a todo tempo desvendar o mundo. Muito tempo ela passa em frente a Transmissor - espécie de TV e computador do futuro, que está presente em todas as casas, e ao mesmo tempo que é uma porta de entrada para informações, é uma saída de informações para controle e domínio. O que você pesquisa, o que te interessa, se possui atividades suspeitas, tudo é observado pelo Governo e por seus Agentes. 
     No decorrer da história Rachel empreende uma busca por entender tudo ao seu redor, e um certo dia se depara com uma mensagem vinda aparentemente do outro lado da Linha, e isso a intriga a procurar por mais pistas. Em quem ela deve acreditar? No Governo? Em sua mãe que tenta protegê-la o tempo todo? Ou talvez nela mesma?
     Este livro trabalhou comigo num formato de uma mão dupla - ao mesmo tempo que sua temática me conquistou e inclusive foi ela que me chamou a atenção desde o início, ele trouxe uma certa pitada de decepção. Talvez por ser a escrita de estreia da autora, o livro dá muito foco na história pessoal dos personagens e deixa a desejar na caracterização da ambientação em que tudo se passa, que o que o livro traz de mais interessante, e também o que é ressaltado em sua sinopse. Contudo, ainda acho válida a sua leitura por uma questão de que distopias e livros futuristas abrem nossas mentes para novas possibilidades e para a visão crítica do mundo. Da forma que a humanidade se comporta e pensa atualmente, para onde vamos? Onde vamos chegar? Questionar já é um bom começo.



Trechos: "Você não vê? Não dá para ter coragem sem ter medo. Os corajosos sempre temem. Mas, mesmo assim, fazem o que é preciso."




Depressão pós-livro: 90%
Avaliação Final: 85%



Alta Tensão, por Harlan Coben





Sinopse
Um dos autores mais lidos no mundo, Harlan Coben traz uma nova história com seu personagem mais premiado. Myron Bolitar ficará frente a frente com um passado de mentiras e traição. Uma mensagem anônima deixada no Facebook da ex-estrela do tênis Suzze T põe em dúvida a paternidade de seu filho. Grávida de oito meses, ela pede a ajuda de seu agente e amigo Myron Bolitar para descobrir o responsável por essa intriga e trazer de volta seu marido, o astro do rock Lex Ryder, que saiu de casa depois de ler o texto. 
Descobrir o paradeiro de Lex não é tarefa difícil para um ex-agente do FBI. Mas, na mesma boate onde o encontra, Myron é surpreendido ao ver Kitty, a mulher que fugiu com seu irmão, Brad, e o afastou para sempre da família. Tentando ajudar a amiga e reencontrar o irmão mais novo, Myron se vê preso numa rede de segredos obscuros que põe em risco as pessoas que ele mais ama. Agora, só a verdade poderá salvá-las. Mas, para que ela prevaleça, nenhuma mentira pode restar – seja ela de Suzze, Lex, Kitty ou do próprio Myron. Nesta premiada história, Harlan Coben mais uma vez consegue construir uma trama envolvente, que fala de fama, ganância e rivalidade e surpreende por seu toque humano. Na aventura mais difícil de Myron Bolitar, seu passado vem à tona e, junto com ele, feridas que jamais se fecharão.



        Harlan Coben é um dos poucos autores que posso dizer que tenho a segurança de comprar um livro sem precisar ler a sinopse ou pesquisar opiniões sobre. Isso porque todos os seus livros - pelo menos todos os que li até hoje - seguem uma linha de escrita que naturalmente prende o leitor com histórias extremamente envolventes, e que sempre trazem consigo um elemento surpresa. O personagem principal deste livro, Myron Bolitar, é o preferido do autor, e possui outros 9 livros antes dele, não necessariamente em ordem. 
    Myron eu diria que é o que Robert Langdon é para as obras de Dan Brown: brilhante, inteligente e racional. Em "Alta Tensão" ele é sócio da MB Representações, junto com seu melhor amigo Win - outro personagem que poderia existir na vida real. Myron trabalha como agente de celebridades e empresas, tendo sido ex-agente do FBI. 
     Um dos seus maiores problemas pessoais - conflitos com seu irmão que o levaram ir embora pelo mundo sem deixar pistas - retornam à cena quando uma de seus clientes o procura pedindo ajuda para investigar quem havia postado em sua página no Facebook uma declaração pondo em dúvida sobre a real paternidade de seu filho, o que levara seu marido a sair de casa. Se há uma característica muito bonita deste fantástico personagem é sua compaixão com as pessoas. Ele vai muito além de realizar o seu trabalho, ele procura ser amigo de seus clientes, tomando para si os problemas de cada um e fazendo questão de resolver um por um. A competência de Myron está além das paredes de seu escritório, está em sua alma.
     Assumindo a responsabilidade de ajudar sua cliente nesta busca, nesse caminho ele acaba por encontrar com a esposa de seu irmão o que o leva de volta à toda a questão que o passado mantinha com seu irmão e os conflitos que haviam entre eles há mais de quinze anos. Dessa forma, Myron se vê em uma busca frenética envolvendo laços familiares, mistérios e a vida de muitas outras pessoas.
     Um ponto forte do livro - e de todos os outros do autor - é a inteligência de ações. Cada passo é muito bem pensado e sagaz, e quando tudo parece perdido há sempre um elemento surpresa - que ás vezes vem a surpreender até mesmo o próprio Myron. Esse elemento coloca na leitura um ar de potência, de ansiedade satisfatória, que só caminha a prender mais o leitor, visto que há uma tendência no mundo literário em tudo o que for impossível ou difícil de acontecer na realidade venha a interessar mais o público - sendo esta uma das armas do entretenimento. E por que não?
     Fantástico, leitura alucinante, ação e mistério recheiam essa história fascinante que só nos leva a pensar a ler mais os livros de Harlan Coben. Indico a todos que buscam uma história forte, misteriosa, inteligente e repleta de ação.



Depressão pós-livro: 60%
Avaliação Final: 97%




O Diário Secreto de Lizzie Bennet, por Bernie Su e Kate Rorick





Sinopse
"Uma adaptação moderna de Orgulho e Preconceito, baseada na série The Lizzie Bennet Diaries. Lizzie Bennet é uma jovem estudante de comunicação que resolve fazer um Vlog como projeto para a faculdade, postando vídeos em que reflete sobre sua vida e a de suas irmãs. Quando dois amigos ricos e charmosos chegam à cidade, as coisas começam a ficar mais interessantes para as irmãs Bennet - e para os seguidores de Lizzie na internet. De repente, Lizzie - que sempre se considerou uma garota bastante normal - se torna uma figura pública. Mas nem tudo acontece diante das câmeras. E, felizmente para nós, ela escreve um diário secreto..."


     Aquele tipo de leitura claro e interativo: "O Diário de Lizzie Bennet"é uma releitura maravilhosa e muito bem associada de Orgulho e Preconceito, da renomada Jane Austen. Trazendo adaptações deste clássico ao mundo moderno, Bernie Su e Kate Rorick conseguem criar uma atmosfera apaixonante e divertida nesta leitura essencial típica de férias. 
     Lizzie Bennet é uma jovem no início dos 20 anos, estudante de pós-graduação em comunicação de massa, e pronta para começar a vida, mesmo que ainda não saiba muito bem por qual caminho seguir quando acabar a faculdade. Como projeto para sua tese da pós, ela tem a brilhante ideia de criar um vlog sobre sua vida. O interessante aqui é a possibilidade que o leitor tem de acompanhar esse vlog real no site do livro: www.lizziebennet.com, e assim pode ter um maior envolvimento com a história, por meio do livro e virtualmente; tornando essa adaptação muito mais interativa e ligada à ideia de uma modernidade nessa nova representação de Orgulho e Preconceito.
     Com a chegada de dois amigos bem-sucedidos, ricos e charmosos à cidade, a mãe de Lizzie - arduamente por dentro do objetivo mor de casar suas filhas -  faz de tudo para que eles venham a se encontrar com elas, e encontra a oportunidade perfeita no casamento de amigos em comum. 
     Desde seu primeiro encontro com o sr. Darcy, Lizzie sabia que não gostava dele. Arrogante, grosseiro e anti-social, Darcy era como uma pedra no caminho de Lizzie, e após sua irmã ter se encantado pelo amigo amigo de Darcy, teve que passar a aturá-lo.
     Com o sucesso rápido e surpreendente de seu vlog na internet, ela tornou-se de um dia para o outro uma figura pública, e a partir de então, tudo o que acontecia na vida dela o seu público tomava conhecimento, com exceção de algumas aventuras..Questões internas como perdão, conflitos familiares, paixão e o entendimento do verdadeiro amor são magistralmente abordadas pelas autoras.
     O próprio livro é um diário onde Lizzie refugia seus desesperos e alegrias, fato que só tende a aproximar o leitor da personagem principal. Esta releitura traz muitas reviravoltas o que cria grandes expectativas - até mesmo para aqueles que já são fãs de Orgulho e Preconceito. Cheio de luz e dinâmico, foi bem aclamado pela crítica e é totalmente indicado aos fãs de Jane Austen e àqueles que buscam por uma leitura dinâmica e aventureira. 



Depressão pós-livro: 80%
Avaliação Final: 90%



Friday, August 28, 2015

Ele está de Volta, por Timur Vermes



Sinopse
Berlim, 2011. Adolf Hitler acorda num terreno baldio. Vivo.
As coisas mudaram: não há mais Eva Braun, nem partido nazista, nem guerra. Hitler mal pode identificar sua amada pátria, infestada de imigrantes e governada por uma mulher. As pessoas, claro, o reconhecem como um imitador talentoso que se recusa a sair do personagem. Até que o impensável acontece: o discurso de Hitler torna-se um viral, um campeão de audiência no YouTube, ele ganha o próprio programa de televisão e todos querem ouvi-lo. Tudo isso enquanto tenta convencer as pessoas de que sim, ele é realmente quem diz ser, e, sim, ele quer mesmo dizer o que está dizendo.
Ele está de volta é uma sátira mordaz sobre a sociedade contemporânea governada pela mídia. Uma história bizarramente inteligente, bizarramente engraçada e bizarramente plausível contada pela perspectiva de um personagem repulsivo, carismático e até mesmo ridículo, mas indiscutivelmente marcante.



   Brilhante. Eu poderia dizer que o enredo desta história é simplesmente brilhante. Transbordando criatividade até nos mínimos detalhes, "Ele está de volta" traz um Hitler praticamente autêntico para os dias de hoje em pleno ano de 2011. O confronto de gerações, com os traços ávidos da personalidade deste grande ator da história da humanidade é palco para um humor ácido e curioso. 
     Nunca havia ouvido falar desta obra de Timur Vermes, contudo, no mesmo instante em que li a sinopse, não me contive em comprar este livro. Se há um fator que me chama a atenção de cara em um livro é a criatividade. Independente da categoria ou gênero do escritor, a criatividade tem a capacidade de me conquistar em poucas linhas na sinopse, e creio que este seja o caso de vários outros leitores.
     Adolf Hitler amanhece em um terreno baldio, bem vivo, na Berlim de 2011. Ele não se recorda de nada que explicasse sua presença naquele local. As ruas são estranhas, mulheres se abaixam para recolher as fezes de seus cachorros,estrangeiras, devem ser! Os carros são extremamente estranhos, as pessoas, com pressa. Os jovens, usam aparelhos que tapam os ouvidos, devem ser os turcos. 
     Com a ajuda de um jornaleiro, Hitler tem acesso à uma emissora de TV. Todos acreditam que ele seja um belo artista, bem treinado, com discursos prontos, imitador profissional do ex ditador da história de seu país. Ele é contratado de imediato pela autenticidade de aparência e argumentos. Já em maior contato com a mídia, Adolf descobre como o homem evoluiu em muitos pontos inclusive na tecnologia, e saiu perdendo em outros. A televisão está presente em todos os lares, e é o símbolo do poder de disseminação da propaganda. Os datilógrafos foram substituídos pelos teclados que instantaneamente transmitem as letras ao computador. Os celulares, por mais multifuncionais que sejam, são uma perdição. Com muitas tarefas acopladas a um único aparelho, telefone, agenda, alarme, gravador, câmera, muitas atividades são agora atreladas a este. A vida está atrelada ao celular. 
    Nessa linha de pensamento, a maior crítica do livro gira em torno do poder da mídia e seu impacto na vida dos cidadãos. Hitler é conhecido por ter subido ao poder em meio a uma Alemanha que se encontrava aos pedaços, e com seus discursos extremamente persuasivos, convenceu milhares de pessoas acerca de sua opinião contra os judeus, estrangeiros e outras minorias. Dizimou milhões, e gerou uma ferida irreparável na história alemã. Mesmo assim, retornando 65 anos depois do ano de sua morte, ao engajar-se na mídia atual, usou-se do fato de que a propaganda está continuamente presente na vida das pessoas e criou programas de televisão, semanários, livros. A Alemanha nunca se esquecerá da ferida que este ditador lhe deixou. Mas nem tudo foi ruim, te diz a mídia. A nação ariana ainda tem muito a crescer, te diz Adolf Hitler. E em breve uma nova Alemanha reconquistada cresce.
     O brilhantismo do assunto abordado nessa obra não impede, contudo, que a leitura se torne um pouco cansativa. O autor poderia ter utilizado um maior dinamismo na escrita, principalmente em pensamentos hitlerísticos, que acabam por se tornar um pouco enfadonhos. Indico o livro ao público amante da história nazista e da Segunda Guerra Mundial. 

Trechos: "Assim, podemos afirmar que hoje os leitores também só consideram sofisticado o que é praticamente ininteligível para eles, e deduzem o essencial por meio de suposições a partir do tom reconhecidamente positivo."




Depressão pós-livro: 85%
Avaliação Final: 80%

Friday, May 15, 2015

The Death Cure, by James Dashner





Synopsis
     It´s the end of the line. WICKED has taken everything from Thomas: his life, his memories, and now his only friends - the Gladers. But it´s finally over. The trials are complete, after one final test. What WICKED doesn´t know is that Thomas remebers far more than they think. And it´s enough to prove that he can´t believe a word of what they say. Thomas beat the Maze. He survived the Scorch. He´ll risk anything to save his friends. But the truth might be what ends it all. The time for lies is over.


      I always wondered what it would be like to find a new beginning for a humanity that chased its own destruction because of the hypocrisy and selfishness in its heart. How long could humans live for with a mentality of power that was always present throughout their whole history? How far would go their hearts to overpower their rationality? All these questions pop up in the minds of the Deth Cure´s readers. This is a dystopia and if there´s something I most like about them is how they bring us out of the box and to think of our roles in the world.
     In the third book of the Maze Runner series, Thomas and his friends keep proving us how strong they are - and I don´t mean the strength we get for having muscles, but the one you conquer by being smart. They never gave up fighting against what they believed. WICKED proved to be lying and Thomas never doubted his remaining memories. 
    They are finally able to see what the world really looks like, how it is after the great catastrophe. The only possible ending for the human race is more destruction; the Flare is uncontrollable, and the resources that are left are being wasted in a cruel project which is far from finding a cure. 
     The truth is terrifying, and there´s no turning back now. Thomas and his friends are the only hopes, and it will take courage and humility from someone we wouldn´t expect it to come from - to save the human race. And far more than that, I can´t help but wonder: is it possible to find a new beginning for humans, if we still carry the same hearts and desires of power? Would it be a happy ending or just a different part of the cycle? 




Depression after reading: 100%
Final Rating: 99%
     

The Scorch Trials, by James Dashner




Synopsis
     Solving the Maze was supposed to be the end. Thomas was sure that escape from the Maze wouldn´t mean freedom for him and the Gladers. But WICKED isn´t done yet. Phase Two has just begun. The Scorch. There are no rules. There is no help. You either make it or die. The Gladers have two weeks to cross the Scorch - the most burned-out section of the world. And WICKED has been sure to adjust the variables and stack the odds against them. 

     After swallowing every page of The Maze Runner book 1, it couldn´t be diffetent with The Scorch Trials. James Dashner has an incredible pace of writing that mesmerizes the reader in a way you can´t leave the book before you´re done with it - or until you know there´s a book 2.
     Holding the hope that finding the Maze´s exit would be the end of all the Gladers´s suffering wasn´t enough. James Dashner didn´t spare Thomas and his friends on his creativity as a writer. Now the challenges are bigger and deeper, and there´s no rule or no help. The Gladers now are obligated to go through the Scorch and face the worst place on earth to be at - a burned landscape area where danger could come from every direction. Although they had a choice to either go or not to the Scorch, they were promised to be given the cure for the Flare - the awful virus that took control of a great part of the population after the Sun flares burned the earth. The human race is fading and now they can see it with their eyes, and now they have no choice but cooperate with WICKED in order to try to have a "normal" life.
     What the reader does not expect to see is the testing of how far a friendship can go. How can you be sure someone is loyal to you when you do not even remember your past? One of the tests the Scorch promotes is about the strength of the Gladers´s friendship, combined with many other peculiarities in order to examine their actions to a bigger purpose. Will all of this effort be worth it?
     The author proves again his ability to write in a fast-paced rythm and conquers the reader with it, though sometimes the sequence of events can be overwhelming and lead to a exhaustive reading. Thinking out of the box is still present in book 2, but mostly of all, it makes the public think about how far humans can go in a limited world and their unlimited selfishness. I wonder if all the dystopias aren´t just what the future holds for us. Maybe they are. 



Depressions after reading: 100%
Final Rating: 98%


Tuesday, April 28, 2015

The Maze Runner, by James Dashner




Synopsis
When Thomas wakes up in the lift, the only thing he can remember is his first name. His memory is blank. But he’s not alone. When the lift’s doors open, Thomas finds himself surrounded by kids who welcome him to the Glade—a large, open expanse surrounded by stone walls. Just like Thomas, the Gladers don’t know why or how they got to the Glade. All they know is that every morning the stone doors to the maze that surrounds them have opened. Every night they’ve closed tight. And every 30 days a new boy has been delivered in the lift. Thomas was expected. But the next day, a girl is sent up—the first girl to ever arrive in the Glade. And more surprising yet is the message she delivers. Thomas might be more important than he could ever guess. If only he could unlock the dark secrets buried within his mind.

     The Maze Runner was not even a bit a surprise. Compared to Divergent and The Hunger Games, it thrilled me that I would be emerged in the dystopic futuristic society type of reading again, which amazes and always inspires me to think out of the box. The Maze Runner is the kind of book I would say that pushes further my thoughts and ideas. 
    Mystery I believe is the best word to define this wonderful story. You never now what is to come, what you are supposed to expect, much less do the characters. The very first chapter already presents a mystery: Thomas is being lifted by an elevator and is in total panic. He gets to a glade - the Glade - and realizes his memory got wiped up. He does not remember who he is, where he had come from, or where he is. Nothing seems familiar. Adding more mystery to it, he is pulled out of the elevator box by a bunch of boys of all ages, but all are young like him, and they also do not know a thing about their lives or the purpose of them being there. 
     The boys have built their own way of living, have created an hierarchy and job functions for each one in the Glade. Thomas soon understands they are surrounded by a maze and that they are expected to find its exit. Also, every month the elevator box goes up with a new boy, exactly thirty days. Although they had been stuck in the Glade for about two years, things start to change after Thomas´s arrival. The next day he gets to the Glade, the box lifts again and a girl shows up - the first girl. She comes in a coma stage and wrapped around her hand there is a piece of paper carrying a message. 
     The Creators change the course of events in the Glade. The gladers are now forced to find a solution for their situation. But now that things have changed forever, no one knows exactly how to act or what to expect. Still, why are they there for? Some attribute it to Thomas´s coming to the Glade. Everything had changed since then. 
     Completly praised by the media, The Maze Runner has an enlightening plot, and I shall warn you dear reader, it´s vicious. Getting addicted to enveil mysteries and think out of the box when reflecting about a likely future for the humanity isn´t hard.
     I totally recommend this reading to all those who are not frightened to find out the truth. 




Depression after reading: 100%
Final Rating: 100%


Monday, April 13, 2015

O Retorno do jovem Príncipe, por A.G.Roemmers




Sinopse
Inspirado em 'o pequeno príncipe', este livro fala do retorno do menino, já na adolescência, à terra. ao viajar sozinho no vazio da patagônia, um homem maduro encontra um adolescente desacordado e o socorre. quando o rapaz acorda, o homem percebe que não se trata de um jovem qualquer, mas de um famoso príncipe que cresceu e resolveu revisitar o planeta terra. os dois viajantes embarcam num diálogo que aborda questões existenciais. assim, a viagem de carro se transforma em uma trajetória espiritual, que abrange a transição da inocência à maturidade, do cotidiano ao transcendente e da tristeza à alegria.

     Com o aval dos netos e familiares de Antoine Sant-Exupéry, A.G.Roemmers aprofundou-se na história do Pequeno Príncipe, grande clássico em escala mundial, e o trouxe de volta à Terra, dessa vez já jovem, na transição para o mundo adulto; exatamente por isso, o jovem príncipe apresenta preocupações e questionamentos sobre o que está por vir, sobre quem se tornará.
     Na mesma linha poética e filosófica do clássico mundial, O Retorno do Jovem Príncipe aborda questões de vida, pensamentos e infelicidades que são comuns na vida adulta. O autor ambienta a história em uma de suas viagens pela Patagônia, onde encontrou o jovem príncipe - até então um jovem qualquer - deitado na beira da estrada. O autor o resgata e eles iniciam uma trajetória de grandes aprendizados acerca da vida, refletindo sobre questões do cotidiano, e como elas refletem o que está dentro de nós. 
     Durante todo o livro, diferentemente de em O Pequeno Príncipe, não é o jovem príncipe que nos passa as lições, mas sim o autor, que é aparentemente um resultado muito sábio de uma introspecção interior. Um aspecto que achei interessantíssimo na história é que ao final, o autor descobre que todas as tais lições foram aprendidas através dos questionamentos do jovem príncipe. Ele lhe passara conhecimento simplesmente por questionar, levando o autor - e consequentemente o leitor - a entender mais sobre o seu interior, e questionar sobre até que ponto as superficialidades da vida valem a pena.
     Entendo O Retorno do Jovem Príncipe como uma continuação de Pequeno Príncipe, mesmo que estes tenham sido escritos por diferentes autores. A história é um prato cheio de filosofia aplicada, e aprecio bastante a maneira como o autor abordou pontos relativos aos questionamentos da juventude, e justamente por isso, ao contrário de o Pequeno Príncipe, este livro não é delicado ou suave na mesma medida. Indico a todos os sonhadores ou fãs de O Pequeno Príncipe.


Trechos: "Por alguns momentos, pensei em como os adultos, com alertas que visam nossa própria proteção, fazem com que nos afastemos das outras pessoas, a ponto de que tocar um indivíduo, ou olhá-lo nos olhos, provoca um desconfortável sentimento de apreensão,"
"É impressionante como sempre presumimos que os outros seguem a mesma direção que nós."
"Enquanto você demora a enfrentar o obstáculo em seu caminho, a dificuldade se torna maior e você, menor. Em outras palavras, quanto mais tempo carrega um problema, mais pesado ele se torna."
"Como nossa vida seria mais positiva, se parássemos de nos julgar e julgar os outros, se não reclamássemos sobre todos os tipos de inconveniências e deixássemos de torturar a nós mesmos, perguntando se merecemos ou se poderíamos ter evitado as dificuldades que nos confrontam. E se, em vez disso, aplicássemos nossos talentos para solucionar os problemas e aceitar o que não pode ser mudado!"
"(...) tudo o que nos perturba no mundo exterior é um sinal da falta de reconciliação com um princípio análogo em nosso interior. (...) É como se a avareza de outra pessoa só pudesse perturbar alguém que é avarento, pois um indivíduo generoso consideraria esse atributo apenas um fato, sem ser muito afetado por ele."
"Só existe uma maneira de mudar o mundo: mudar a si mesmo."
"Você não deve se fechar a outras pessoas enquanto estiver procurando um amigo."
"Nenhuma conquista oferece uma recompensa maior que a conquista do nosso próprio ser."
"Pensar que a felicidade depende de se possuir alguma coisa é uma autoilusão reconfortante. Como depende de ter, não de ser, buscamos algo que está fora de nós. Assim, não precisamos olhar para nosso interior. De acordo com essa forma de raciocínio, podemos ser felizes sem mudarmos nossa maneira de ser. Basta obter isto e aquilo."
"Os seres humanos não podem dar o melhor de si, como seu amor e sua força criativa, se não estiverem livres."
"A felicidade não é tanto o objetivo final que alcançamos, como se fosse a estação final de um trem, mas um modo de viajar, ou seja, de viver."




Depressão pós-livro: 80%
Avaliação Final: 90%

Sunday, April 5, 2015

Clube da Luta, por Chuck Palahniuk




Sinopse
Considerado um clássico moderno desde sua publicação em 1996, o livro Clube da Luta consagrou Chuck Palahniuk como um dos mais importantes e criativos autores contemporâneos, além do próprio livro como um cânone da cultura pop. O livro que estava esgotado há anos volta às livrarias nessa caprichada edição. O clube da luta é idealizado por Tyler Durden, que acha que encontrou uma maneira de viver fora dos limites da sociedade e das regras sem sentido. Mas o que está por vir de sua mente pode piorar muito daqui para frente. O livro foi filmado em 1999, pelo vencedor do Oscar de melhor diretor, David Fincher (OsHomens Que Não Amavam as Mulheres, A Rede Social), que conseguiu adaptar toda atmosfera do livro, o mundo caótico do personagem e o humor negro de Palahniuk em uma trama recebida com inúmeros elogios pela crítica e pelo público que conta com os atores Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter.


     Clube da Luta é a crítica perfeita da maneira mais perturbadora possível. É um livro que foi lançado em 1996, mas que retrata um quadro cada vez mais atual com sua forte crítica à feminização da sociedade. Se este já se fazia presente na mencionada data, imaginemos nos dias atuais o impacto que as pessoas, em especial os homens, têm sentido com a ascensão da mulher. Não me refiro à conquista dos direitos femininos, tal fato que apoio, mas sim aos reflexos que isto vem causando aos homens, que sempre tiveram uma linha certa do que seguir, e agora esta linha não é mais tão claramente definida. 
     Jack, personagem que não deixa seu nome claro em nenhum momento da história, tem uma vida a princípio boa, um bom apartamento, um emprego satisfatório. Contudo, seu eu interior nunca esteve completo. Ele sofre de insônia, e com a intenção de encontrar a própria afirmação, Jack frequenta diversos grupos de apoio a pessoas com várias doenças, como câncer terminal e tuberculose. 
     No decorrer do livro há um trecho que apresenta muito bem esse contexto de vida do personagem: "Não temos uma grande guerra em nossa geração ou uma grande depressão, mas na verdade temos, sim, é uma grande guerra de espírito. Temos uma grande revolução contra a cultura. A grande depressão é a nossa vida. Temos uma depressão espiritual. "
     Os grupos de apoio são uma motivação que ajudam a curar a insônia de Jack. Entretanto, com o aparecimento de Marla Singer nas reuniões dos grupos de apoio, sua insônia volta. Ele sabe que ela também não está doente e é uma farsa ali. 
     Em uma de suas viagens a trabalho, ele conhece Tyler Durden, reacionário anarquista que sempre pensou fora dos limites da sociedade. Em uma noite ele pediu a Jack para que simplesmente ele lhe batesse - o mais forte que conseguisse. Ali foi criado o Clube da Luta. Com o tempo, este clube estava instalado em dezenas de porões de bares, atendendo a uma necessidade interior de vários homens buscando por uma motivação quando sua posição nessa sociedade cada vez mais feminizada estava se ocultando, e as ofertas da mídia de satisfação pessoal eram uma farsa. Estes homens acreditavam que precisavam ir ao fundo do poço para encontrarem um objetivo em suas vidas - o esforço de se reerguerem novamente e se afirmarem como homens, e encontrarem o real sentido da vida. Observamos que aqui a luta foi utilizada somente como uma alegoria à motivação masculina, não que sua afirmação seja dada necessariamente através da violência. 
     O Clube da Luta é um sucesso, e vai formando uma legião de homens, que assim como Jack e Tyler, encontraram um sentido em tudo. A história reserva uma grande surpresa para o final, onde todas as peças se encaixam. 
     Um dos objetivos do autor era de construir uma obra em estilo texto teatral, uma história não contínua, mas que se sustenta por flash dos fatos. Essa estratégia de escrita, se bem utilizada, pode prender o leitor. Interpretei uma característica desta escrita como o reflexo da confusão de quem o personagem principal era - suas falas muitas vezes não eram marcadas por travessões, eram respondidas como pensamentos do próprio personagem, traço que cabia ao leitor captar o que queria dizer em cada situação.
     Vejo o Clube da Luta como uma crítica muito rica e pertinente até os dias de hoje, porém com uma abordagem um tanto perturbadora através do clássico humor negro de Chuck. É claro que a mensagem transmitida pela história é válida, mesmo pelos meios em que se apresenta.

Trechos: "Muitos jovens tentam impressionar o mundo comprando coisas demais (...) Muitos jovens não sabem o que querem de verdade. (...)  Os jovens pensam que querem o mundo inteiro. (...) Se não sabe o que quer, acaba tendo um monte de coisas que não quer."
" O que se vê no clube da luta é uma geração de homens criados por mulheres."
" O clube da luta lhe dá uma razão para ir sempre à academia, para cortar cabelos e unhas bem curtos. Na academia há sempre um monte de caras tentando parecer homens, como se ser homem significasse parecer com o que um escultor ou um diretor de arte dizem que deve ser."
"Naquela época a minha vida parecia completa demais, e talvez tenhamos que quebrar tudo para construir algo melhor em nós mesmos."
" Apenas depois de perder tudo é que você está livre para fazer qualquer coisa."
" Estou rompendo meus vínculos com a força física e os bens materiais, pois apenas ao me destruir posso descobrir o poder superior do meu espírito."
" A ideia é escolher um Joe qualquer na rua que nunca tenha brigado e recrutá-lo. Deixar que ele experimente a vitória pela primeira vez na vida. Dar permissão para que encha você de porrada. Você aguenta. Se ganhar dele, estragará tudo. O que precisamos fazer, pessoal, é lembrar esses caras da força que eles ainda têm."
" Nossa cultura nos fez sermos todos iguais. Ninguém mais é verdadeiramente branco, preto ou rico. Todos queremos a mesma coisa. Individualmente não somos nada."
" Enquanto permanecer no clube da luta você não é definido por quanto dinheiro tem no banco. Você não é o seu trabalho. Não é a sua família nem é quem acha que é."
" Há uma categoria de homens e mulheres jovens e fortes que querem dar a própria vida por algo. A propaganda faz essas pessoas irem atrás de carros e roupas de que elas não precisam. Gerações têm trabalhado em empregos que odeiam para poder comprar coisas de que realmente não precisam."



Depressão pós-livro: 98%
Avaliação Final: 91%

Monday, March 30, 2015

Um perfeito Cavalheiro, por Julia Quinn




Sinopse
Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse parece um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, ela é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, porém, ela consegue entrar às escondidas no aguardado baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois. Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível. Agora os dois precisarão lutar contra o que sentem um pelo outro ou reconsiderar as próprias crenças para terem a chance de viver um amor de conto de fadas. Nesta deliciosa releitura de Cinderela, Julia Quinn comprova mais uma vez seu talento como escritora romântica.


     Não é surpresa nenhuma que eu tenha realizado esta leitura em três dias, ou que tenha me envolvido completamente com a história. Uma das grandes capacidades de Julia Quinn, além de escrever brilhantemente, é fazer com que o enredo e os personagens pareçam reais. Tudo o que se lê por sua escrita parece que existe de fato, ou que já existiu, e essa qualidade é para poucos escritores. 
     "Um Perfeito Cavalheiro" é o terceiro livro da Série Os Bridgertons, que conta a história dos oito filhos desta encantadora família da sociedade londrina. Neste terceiro volume, a autora faz uma releitura da história de Cinderela ao nos apresentar Sophie, uma filha ilegítima de um conde, que é maltratada pela madrasta e pelas irmãs, quando seu pai morre. Desde então, sua função é viver como uma criada, sem perspectivas de um futuro melhor. 
     Sophie recebe a chance da sua vida de ser uma dama da alta sociedade por uma noite, no baile hospedado pela Lady Bridgerton, em sua casa. Na ocasião, ela vai escondida de sua madrasta e irmãs, e conhece Benedict Bridgerton, o segundo na linhagem da família. Assim como diz a tradição, ela tinha de retornar à meia-noite para não ser descoberta, deixando o rapaz sem saber de sua identidade. A genialidade da releitura feita autora começa aqui; após grandes dias de procura, o jovem rapaz não é capaz de encontrar aquela única jovem que o encantou no baile na casa de sua mãe, e após anos eles vêm a se encontrar, ainda com muitas descobertas e novos sentimentos no decorrer da história.
     Esta aparenta ser mais uma fofa história de romance de época, mas o brilhantismo da escrita de Julia Quinn levam-na muito além de um mero romance. Há como se fosse uma energia entre seus livros que funciona como uma liga, conectando todos os fatos, e tornando-os quase palpáveis ao leitor. Indico a todos os jovens e amantes de romance, aguardo ansiosamente os próximos livros da série!




Depressão-pós-livro: 100%

Avaliação Final: 99%

Mathilda Savitch, por Victor Lodato



Sinopse
     Mathilda Savitch tem conflitos que extrapolam as dores comuns da adolescência: sua irmã mais velha é brutalmente assassinada, jogada na frente de um trem por um desconhecido. Com a angústia de uma nação em guerra contra o terrorismo e os pais enlutados pela tragédia familiar, Mathilda decide usar a maldade para provocar alguma reação neles, que estão completamente catatônicos. Eleito o melhor livro de 2009 pelo The Christian Science Monitor, pela Booklist e pelo The Globe and Mail, o romance de estreia do poeta e dramaturgo Victor Lodato retrata, de maneira impressionante, a vulnerabilidade e a aparente ousadia adolescente.


     Por ser um livro da autoria de um poeta, vejo em Mathilda Savitch uma história sempre com duas faces, reinada pela subjetividade que só a poesia possui, e ao mesmo tempo a certeza que esta traz. Mathilda passa pela transição da infância para a adolescência, e como se os monstros internos da mudança não fossem suficientes, sua irmã mais velha foi assassinada ao ser jogada na frente de um trem por um desconhecido, e seus pais tornaram-se zumbis e nunca se recuperaram da tragédia.
     Enquanto passa pelo processo de auto descoberta, Mathilda deixa florescer sua maldade adolescente e tenta a todo momento provocar seus pais e o mundo ao seu redor. Sente que não há mais reação, e é isso o que busca, uma reação. A história mantém-se a uma velocidade constante, por mais que hajam atitudes que confiram ação à obra, o seu próprio tom de poesia inibe essa ação, tornando-a um tanto parada. Diria que esse livro é para o tipo de leitor que busca fatos e não ações, drama poético e não aventura.
     Mathilda prova ser uma personagem de coragem ao tentar buscar respostas para a morte da irmã. Quando percebeu que o mundo não reagiria, ela mesma reagiu e foi atrás da verdade. É interessante analisar os dois lados em constante luta dentro dela, a criança sincera e a adolescente nada inocente e cheia de ideias. Indicaria esse livro para amantes da poesia e prosa.


Trechos: " Há muito pouca imaginação no mundo. Uma pessoa como eu fica basicamente sozinha. Se eu quiser viver no mesmo mundo que as outras pessoas, tenho que fazer um esforço especial."
" No mundo há coisas bonitas e coisas tristes e, quando elas se juntam, formam uma estrela. A luz é muito distante, e o mais estranho é que ela fica dentro da gente. Só que, por mais que a pessoa olhe, nunca pode ver a estrela em si, vê apenas o reflexo dela num lago, que também fica dentro da gente."




Depressão-pós-livro: 69%
Avaliação Final: 65%