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Sunday, February 23, 2014

Os Filhos do Imperador, por Claire Messud


Marina, Danielle e Julius se conhecem na universidade e se tornam amigos. Todos têm 
algo em comum: estão certos de que em muito pouco tempo estarão fazendo algo
extremamente importante para o mundo. Porém, quando chegam perto dos 30, as 
coisas não estão do jeito que devem estar. Danielle está se matando para produzir 
documentários para a televisão, Julius mal consegue sobreviver como jornalista 
autônomo e Marina, a deslumbrante filha de um famoso ativista social, Murray 
Thwaite, ainda vive com seus pais, sem conseguir terminar o livro que está 
escrevendo sobre como as mudanças na moda infantil refletem as mudanças sociais. 
Tendo como pano de fundo a sociedade atemorizada após o 11 de Setembro, Claire 
Messud faz, em "Os Filhos do Imperador", um retrato bem-humorado de toda uma 
geração com seu estilo direto e envolvente, construindo uma magistral comédia de 
costumes.


     Aclamado pela crítica, "Os Filhos do Imperador" é um romance da americana Claire Messud, que já esteve na lista dos mais vendidos do The New York Times. Se há uma palavra que define muito bem esta obra, é esta: caos.
    Tendo como cenário a cidade de New York anterior ao ataque terrorista ás Torres Gêmeas, a trama de Claire conta a história de três amigos que se conhecem desde a faculdade de jornalismo, e que, ao chegarem aos 30 anos,vêem-se insatisfeitos com suas vidas, e sentem-se na obrigação de fazer algo a mais pelo mundo, algo diferente em suas vidas. Marina está sem emprego e há anos escrevendo um livro cujo conteúdo não lhe interessa mais, além de se ver à sombra de seu pai, Murray Thwaite, jornalista cultuado de Nova York, e ter a sensação de ter que estar à sua altura. Julius, também sem trabalho fixo, se sustenta com suas críticas de cinema e literatura. Até é conhecido no meio, mas sua vida pessoal não é nada invejável, e vive em busca de um namorado fixo. Danielle é a única que tem estabilidade na profissão, trabalha como produtora de documentários, mas está à procura de um tema interessante que agrade ao seu chefe e à ela também. Em meio a novas experiências e oportunidades, os três filosofam sobre o que fazer da vida, e como fazer.
     Devo afirmar que esta obra organiza-se de uma forma diferente de outros livros da categoria, é um tipo de leitura que gosto de chamar de Leitura de Reticências, que é amada por muitos, e odiada por muitos outros. Ela se estrutura de uma maneira que não facilita o entendimento da história, e acredito que para algo ser admirado, deve ser primeiramente entendido. A trama não possui uma introdução, ou conclusão; o leitor se sente "pegando o bonde andando", e o deixa andando também. É preciso paciência e atenção para que a história seja desvendada em cada acontecimento apresentado. A sinopse atrai o leitor de uma maneira indevida, uma vez que suas expectativas sobre o livro não são correspondidas. Talvez seja por isso que muitos não gostem de "Os Filhos do Imperador": compraram pensando que verão uma grande crítica á sociedade com muita ironia e sarcasmo, e se depararam com pessoas adultas com problemas que parecem infantis. Não há a transmissão de uma lição ou um aprendizado nesta obra, é tudo tão cheio, que acaba sendo um vazio.

     Pontos positivos que observei na obra foram a união dos personagens, e o compartilhamento do sentimento de cidadania americana após o momento do ataque ás Torres Gêmeas. 
     Este é um bom livro, porém difícil de se entender. Talvez só os que se identificam com as histórias de Marina, Danielle e Julius possam compreendê-la, pois é disto que o livro trata: incerteza e insatisfação com a vida - O ser humano contemporâneo. O enredo é subjetivo, e muitos podem terminar sua leitura com a sensação de que ele não fala sobre absolutamente nada. Mas o faz, e talvez seja necessária mais uma leitura para perceber isso.

Quer ver o que outros leitores acharam desse livro? Clique aqui.

Trechos: " Acho que, se você é capaz de fazer outra coisa, faça. Porque é uma vida estimulante, mas incerta. Mas eu a fiz entender que integridade é tudo, tudo o que temos. E, se você tem uma voz, um dom, é moralmente obrigado a exercê-lo."


Depressão pós-livro: 12%
Avaliação Final: 30%

Saturday, September 7, 2013

O Símbolo Perdido, por Dan Brown

                                             Sinopse
Depois de ter sobrevivido a uma explosão no Vaticano e a uma caçada humana em Paris, Robert Langdon está de volta com seus profundos conhecimentos de simbologia e sua brilhante habilidade para solucionar problemas. Em O símbolo perdido, o célebre professor de Harvard é convidado às pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon - eminente maçom e filantropo - a dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos. Ao chegar lá, descobre que caiu numa armadilha. Não há palestra nenhuma, Solomon está desaparecido e, ao que tudo indica, correndo grande perigo. Mal'akh, o sequestrador, acredita que os fundadores de Washington, a maioria deles mestres maçons, esconderam na cidade um tesouro capaz de dar poderes sobre-humanos a quem o encontrasse. E está convencido de que Langdon é a única pessoa que pode localizá-lo. Vendo que essa é sua única chance de salvar Solomon, o simbologista se lança numa corrida alucinada pelos principais pontos da capital americana: o Capitólio, a Biblioteca do Congresso, a Catedral Nacional e o Centro de Apoio dos Museus Smithsonian. Neste labirinto de verdades ocultas, códigos maçônicos e símbolos escondidos, Langdon conta com a ajuda de Katherine, irmã de Peter e renomada cientista que investiga o poder que a mente humana tem de influenciar o mundo físico. O tempo está contra eles. E muitas outras pessoas parecem envolvidas nesta trama que ameaça a segurança nacional, entre elas Inoue Sato, autoridade máxima do Escritório de Segurança da CIA, e Warren Bellamy, responsável pela administração do Capitólio. Como Langdon já aprendeu em suas outras aventuras, quando se trata de segredos e poder, nunca se pode dizer ao certo de que lado cada um está. Nas mãos de Dan Brown, Washington se revela tão fascinante quanto o Vaticano ou Paris. Em O Símbolo Perdido, ele desperta o interesse dos leitores por temas tão variados como ciência noética, teoria das supercordas e grandes obras de arte, os desafiando a abrir a mente para novos conhecimentos.


     Como já era de se esperar, Dan Brown superou as expectativas para sua obra O Símbolo Perdido. Apesar de já ter lido outras obras renomadas do autor como "Anjos e Demônios" e "O Código da Vinci", e estar acostumada com a escrita de Dan Brown, me impressionei mais uma vez com sua capacidade de criar uma narrativa repleta de enigmas, suspense, e um mistério inteligente. O Símbolo Perdido narra mais uma aventura do professor e simbologista de Harvard Robert Langdon ao desvendar  mensagens ocultas e mistérios do passado - uma trama que envolve a irmandade da Francomaçonaria e a sua relação com os homens do poder e de maior prestígio dos Estados Unidos. A essência da história ocorre em volta da busca pelo desvendamento da antiga pirâmide maçônica que, segundo sua lenda, carrega uma mensagem para que, aquele que é merecedor, possa desvendá-la e alcançar o poder e o conhecimento para a apoteose - o fenômeno em que o homem torna-se um deus, através de um conhecimento supremo.
     O que sempre me cativa e torna as histórias de Dan Brown ainda mais interessantes são a sua associação de informações verídicas - como a Maçonaria e símbolos ocultos em cidades como Washington que remetem-nos a mistérios do passado à sua história. Esses fatos realmente existem e estão presentes na sociedade em que vivemos, e Dan Brown divulga como que o mundo pode ser visto através de outros ângulos e como isso pode mudar nossa percepção do mundo. Não acredito em todas as opiniões com referência religiosa e intelectual exibidas no livro, mas acho que cada leitor deve tirar proveito das mensagens de conhecimento que Dan Brown nos transmite, bastando filtrar aquilo que lhe pareça coerente a sua opinião; acho válido considerarmos tudo, e somente após conhecer, termos uma visão crítica.
     O Símbolo Perdido trata de alguns assuntos que não são muito divulgados, a história dos Estados Unidos, e como, desde a sua Independência pregava-se um país de fundações cristãs, porém seu próprio Capitólio, em Washington, serve como prova de que desde os seus fundadores, os Estados Unidos é envolvido com artes e magias ocultas que foram encobertas por sua faixada de país cristão - Na Rotunda do Capitólio dos EUA há uma pintura que demonstra o pai de sua nação, George Washington, com uma pedra angular, e a representação de deuses ao seu lado, que lhe trariam o conhecimento e a tecnologia àquele país.
      A história explora também um novo campo de estudo: a ciência noética, a qual envolve filosofia e ciência explorando a capacidade da mente humana trabalhar com pensamentos e estes, terem o poder de alterar o mundo físico. O Símbolo Perdido traz mensagens que estão diretamente ligadas à ciência noética, o que torna o livro ainda mais rico intelectualmente. 
        Um ponto em que não concordei com o livro foi na contradição em algumas mensagens transmitidas pela história envolvendo a Bíblia - o autor criticava a Bíblia implicitamente em alguns momentos, e em outros, quando era de seu interesse provar um ponto, usava-se de seus versículos para solidificar sua opinião.
     O Símbolo Perdido é uma leitura densa, repleta de informações e adrenalina - a história ocorre durante um dia em 489 páginas, o que faz o leitor ávido para virar a página a cada capítulo. O suspense está sempre presente, e revelações que mudam totalmente o caminhar da narrativa invadem os últimos capítulos do livro, o que cria no leitor um efeito de reconhecimento ao fato de que, ao mudar o ângulo em que vemos o mundo, tudo a nossa volta mudará também. Este é um livro que nos prende, devoramos cada capítulo e nos surpreendemos muito com cada um deles. Não vemos a hora de chegar no final, para descobrirmos qual é o símbolo tão importante que dá para quem o encontrar, tamanho saber. A cada capítulo você se surpreende mais do que no anterior, e o fim é totalmente inesperado. Nem em seus maiores devaneios, iria descobrir como termina esta história.
     Indico O Símbolo Perdido principalmente ao público adulto, por conter cenas fortes, de impacto. A história resultaria em uma ótima adaptação para o cinema. Dan Brown mais uma vez impressionou os leitores com sua capacidade de escrever conhecimento, mistério e suspense em uma só trama de dinâmica incessante.

Trechos: "Às vezes uma lenda que dura muitos séculos... tem um motivo para durar."
"Abram a mente, meus amigos. Todos nós tememos aquilo que foge à nossa compreensão."
"Quanto mais o homem aprendia, mais dava conta de sua ignorância."
"O conhecimento é uma ferramenta e, como todas as ferramentas, seu impacto está nas mãos do usuário."
"A aceitação generalizada de uma ideia não é prova de sua validade."
"A má compreensão dos símbolos de uma cultura é uma fonte comum de preconceito."
"A riqueza é algo comum, mas o saber é raro."
"As grandes mentes são sempre temidas pelas mais medíocres."
"Todas as grandes verdades são simples."
"Ás vezes basta uma ínfima mudança de perspectiva para vermos algo conhecido sob uma luz totalmente nova."
"Seremos capazes de projetar a realidade em vez de simplesmente reagir a ela."

     
     Depressão pós-livro: 90%
Avaliação Final: 95%

Friday, February 15, 2013

A Janela de Overton, por Glenn Beck



     Sinopse
     '' Uma conspiração contra os EUA vem sendo preparada há cem anos e agora está prestes a ser colocada em prática... Alguém será capaz de impedí-la?
     E se você descobrisse que tudo em que você acreditou até hoje não passa de uma grande farsa? Que a roupa que você veste todos os dias pela manhã, assim como o carro que você dirige não são escolhas suas? Que o governante que você elegeu na última eleição para comandar sua cidade e seu país também não depende de você? E se chegasse à conclusão de que toda autonomia e livre-arbítrio que você julga ter, na verdade, atendem a um outro comando que não as suas ideias e sua propria vontade? ''


     Desde o início já sabia que A Janela de Overton traria uma série de informações sobre Controle Social, Teorias de Conspirações governamentais, e Política, assuntos que me interessam bastante, uma vez que não os encontramos em qualquer lugar.
     Glenn Beck criou uma ficção 'salpicada' de verdades, usando como cenário a história de Noah Gardner, o filho de um importante executivo de Relações Públicas de Nova York, e através dessa história, insere o leitor no mundo das Relações Públicas e a o mesmo tempo, no mundo de conspiradores extremistas, que são totalmente contra o Governo. 
     A leitura é muito direcionada aos Norte-Americanos, pois exibe muitas referências à Política e à História, assuntos mais particulares aos estado-unidenses. Por conta disso, em alguns ( vários ) momentos da leitura, o leitor ( brasileiro ) se sente perdido, pela quantidade de informações desconhecidas. Por mais que nesses trechos o livro exiba uma nota sobre o assunto no rodapé da página, são informações demais para que compreendamos num primeiro instante.
     Glenn Beck nos manda uma provocação a cada capítulo, para instigar o leitor a correr atrás de informações, e  não sobreviver só das mentiras dos governos, da grande mídia manipuladora. Pois assim é muito fácil; e é por isso que as massas são controladas.
     Se lhe dissessem há um tempo atrás que, para viajar de avião, você terá de ser completamente revistado, passar por uma máquina de raio-X, tirar peças de roupa, ter sua mala com seus objetos pessoais, revistada, chegar com 4 horas de antecedência ao aeroporto para ficar na fila de segurança, e muito mais coisas do gênero, você não concordaria, acharia tudo um absurdo, uma vez que tem o direito de ir e vir, e de ter a sua privacidade. Porém, com a fantástica manipulação da Mídia, você absorveu o pensamento de que todo esse processo tem de ser cumprido e oferece vantagens para o seu país e segurança para você.  Você não questionou nada em nenhum momento, nem sabe se tudo isso é verdade, mas abaixou a cabeça e obedeceu.
     E aí, novamente, nossa amiga Mídia entra em ação para lhe manipular de uma forma inteligente, sem que você perceba. E ela fará isso novamente com você. Assim como fez com o Aquecimento Global, e fará com os governos do mundo. A atual crise financeira e dos governos foi propositalmente criada. O próximo passo será a criação de um único governo para o mundo inteiro, para ficar mais fácil de te controlar e de tirar dinheiro de você. Mas a mídia vai começar a mudar seu pensamento, e vai lhe mostrar que este é o melhor caminho para não haverem mais guerras nem crises. E você vai acreditar. 
     Ainda fico em dúvida sobre quais são os verdadeiros motivos que levaram o autor a expor essas informações. Ou Glenn beck é aliado à grande mídia, e publica tais fatos, sabendo que eles serão encarados pelas massas como só mais uma história de ficção ( e por isso foram publicados ), ou a intenção dele era mesmo boa ao expor as informações, mas como os Controladores do Mundo sabem que X Bilhões de pessoas nem tem acesso à leitura, pra que se preocupar, então?
     A Janela de Overton é uma leitura complexa e inteligente, com uma história um pouco parada, com clímax momentâneos, mas com grande valor informativo. O Epílogo traz várias indicações de pesquisas que o próprio leitor pode fazer, sobre o governo, sobre as pequenas famílias controladoras do mundo, que possuem uma capacidade financeira que não conseguimos imaginar, sobre todas as mentiras. Basta levantarmos do sofá e pararmos de deixar a TV nos controlar, enquanto achamos que a controlamos com o controle remoto. 

Trechos:  '' O Comitê dos 300 existe. E o Conselho das Relações Exteriores, o Clube de Bilderberg, a Comissão Trilateral, o Clube de Roma - todos eles existem. E são todos defensores da globalização, são mais ricos e poderosos do que nossa imaginação é capaz de conceber. São absolutamente crueis e impiedosos, mas juntos mandam em tudo o que acontece no mundo, exatamente como vocês disseram. Só que essas sociedades e instituições não têm nada de secretas. ão existem conspirações secretas: elas fazem o que querem de maneira pública e escancarada.''

'' A manipulação consciente e inteligente dos hábitos e opiniões organizados das massas é um elemento importante em uma sociedade democrática. Aqueles que manipulam esse mecanismo invisível da sociedade constituem um governo invisível que é o verdadeiro poder que rege o país. ''


Depressão pós-livro: 30%

Avaliação Final: 83%