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Monday, October 27, 2014

Adeus à Humanidade, por Marcia Rubim




Sinopse
Uma paixão acendendo após mais de um século de escuridão.Uma doença atual apagando a luz de uma vida.Somente sua mordida poderia curá-la.Apenas seu tipo sanguíneo seria capaz de matá-lo. Como um amor tão improvável sobreviveria? Do que você seria capaz de abdicar para salvar e vivenciar, mesmo que por pouco tempo, um amor jamais sentido antes? Da cura de milhares de humanos? Da própria vida? Stephanie tinha todos os motivos do mundo para não acreditar em seres míticos ou na felicidade, mas vai descobrir que estava totalmente enganada. Sua alma-gêmea existe! O problema é que a linha do tempo que a separa do amor eterno é muito tênue. E somente um milagre possa uni-los novamente. 

     Se há uma palavra que descreve bem minha reação a este livro é surpresa. Que a literatura nacional é tremendamente desvalorizada em meio aos best-sellers mundiais é um fato. Entretanto, esta história quebrou todas as expectativas que já tive na vida por um livro brasileiro, e dá de dez a zero em muitos contos da literatura estrangeira.
     Stephanie (minha xará!) era uma jovem que vivia uma vida confortável. É amante de fotografia, e nunca soube exatamente o que fazer da vida. Ao ganhar um concurso do mesmo ramo, recebeu como prêmio uma viagem para Miami, onde aproveitou para visitar seu pai, e com o tempo, acabou optando por ficar e fazer uma graduação em enfermagem. Após a ocorrência de uma tragédia no Brasil, ela teve de voltar imediatamente, deixando para trás sua vida como sempre conhecera.
     Agora passando por dificuldades, Stephanie trabalha em um hospital de São Paulo, onde tem de se submeter a situações de trabalho horríveis. Dr. Richard, o médico com quem trabalha é um profissional de extrema exigência, e nenhuma enfermeira gosta de trabalhar com ele, apesar de sua beleza estarrecedora e atraente. Stephanie passa por maus pedaços, e com o tempo, descobre um amor onde pensava não poder existir. Ela encara um jogo de conhecimento próprio, além entender o significado de amor incondicional.
     Repleto de mistérios que vão se desvendando aos poucos, Adeus à Humanidade é uma história intensa. Um romance intenso. Qualquer leitor digno de emoção se encontrará envolvido demais com a história, que aliás possui um poder de "depressão pós-livro" magnífico. Nunca havia provado de tal poder oriundo de um livro nacional, e fico mais contente ainda por tal.
     A autora sobre combinar muito bem várias áreas da vida, deixando o leitor ávido por saber o que vem adiante, além do perfeito envolvimento com o enredo. Mal posso esperar para as continuações!


Trecho: "Não importa a eternidade que leve até que se encontre o verdadeiro amor, e sim a intensidade com que o sentimos quando ele se manifesta em nossas vidas."



Depressão pós-livro: 100%
Avaliação Final: 90%

Wednesday, July 16, 2014

Passaporte Diplomático, por Yeda Assumpção


Sinopse
Passaporte diplomático é o relato da vida de Yeda Assumpção, mulher do diplomata Roberto Assumpção, que teve o privilégio de participar ativamente da vida diplomática no exterior durante 29 anos. Yeda compôs sua trajetória, ao lado do marido, vivendo em países longínquos e muito diferentes entre si, com costumes e ambientes diversos, e assim obteve a exata convicção patriótica de que o verdadeiro diplomata é o mais perfeito emissário de sua pátria — e quem o acompanha também. Neste livro de memórias, que ela prefere chamar de lembranças — o primeiro do gênero no Brasil — a embaixatriz revela segredos e recorda emoções vividas, para reconstituir tudo o que testemunhou durante sua vida no mundo da diplomacia brasileira fora daqui. Yeda começou a trilhar este caminho muito cedo, como consulesa em Milão, aos 20 anos, e depois partiu para a Argélia ao lado de Roberto, país que mantinha estreita relação com o Brasil de então, e que muito a marcou. Yeda conta que “a minha vida pode ser descrita como antes e depois da Argélia. Foi lá que botei o pé no real, que comecei a deixar para trás alguns pedaços da minha inocência, das ilusões da juventude”, diz ela. 


     Apaixonada pela carreira diplomática, encantei-me com o título que este livro carrega desde o início. Não demorou muito para que me encontrasse absorta nas lembranças de uma vida que almejo - ou quase. Assim como o amor por esta carreira, a leitura deste livro não tardou; praticamente devorei suas páginas, ávida por captar, mesmo através da leitura, o glamour e desafios de uma vida nômade.
     Yeda Assumpção tornou-se embaixatriz ao se casar com Roberto Assumpção, embaixador brasileiro. Já aos vinte anos, ela embarcou na grande aventura de 'deixar pedaços de sua inocência para trás' e viver em outras culturas com a missão de representar o Brasil - tarefa peculiar, especialmente durante a época em que ocupou esse cargo, uma vez que o Brasil encontrava-se em período de ditadura militar.
     Aprecio com grande respeito a forma como Yeda trata da vida de uma embaixatriz neste livro. Ela não só exalta a parte glamourosa da carreira, como o luxo e jantares e cerimônias igualmente a altura com o corpo diplomático, como também descreve os desafios de representar toda uma nação e tomar decisões importantíssimas em momentos delicados. Muito além da habilidade do 'pensar rápido', é necessário um extremo cuidado com a forma de se portar, se vestir, pois cada detalhe transfigura-se como a visão que outros representantes terão de toda uma nação.Outro ponto abordado que merece destaque é a demonstração da importância da embaixatriz, da esposa do embaixador na organização do bem-estar diplomático.
     A autora descreve sua estada em vários países durante três décadas; as amizades construídas em cada canto do mundo, as peculiaridades dos diferentes sistemas políticos dos países e das religiões. Observo em Yeda um ponto chave essencial para a carreira: a visão de respeito e apreciação a cultura alheia, mesmo que este não envolva concordância. Posso afirmar que ela realmente viveu cada cultura, absorveu experiências, cresceu como pessoa, descobriu sua espiritualidade. 
     Não só aos aspirantes a carreira, mas a todos os interessados em diferentes culturas e visões de mundo, este livro preenche perfeitamente a categoria; sendo o primeiro brasileiro do gênero, publicado em 2002.
     Acredito que a diplomacia é um dom; um dos que, pessoalmente, possuo mais respeito, uma vez que envolve o controle de si mesmo e tolerância para com o diferente. Aquele que é capaz de se dominar, pode conquistar o mundo.

Trechos: "Na carreira diplomática, a vida é feita de chegadas e partidas, amizades e adeuses!"
"Na verdade, o glamour nas embaixadas tem uma função importante: é arma poderosa no processo de sedução diplomático."
"O corpo diplomático passa então a fazer as vezes da família que ficou em nosso país de origem: como todos estão vivendo circunstâncias semelhantes, há uma compreensão prévia, sem necessidade de explicações, e um tipo de solidariedade que nunca mais encontrei pela vida afora."
"Nunca se falou e discutiu tanto sobre o amor como nos dias em que vivemos, mas nunca também se amou tão pouco e de modo tão pobre."

Depressão pós-livro: 100%
Avaliação Final: 90%

Sunday, January 5, 2014

A Filha da Minha Mãe e Eu, por Maria Fernanda Guerreiro



Sinopse
Sensível e tão real a ponto de fazer você se sentir parte da família, A filha da minha mãe e eu conta a história do difícil relacionamento entre Helena e sua filha, Mariana. A história começa quando Mariana descobre que está grávida e se dá conta de que, antes de se tornar mãe, é preciso rever seu papel como filha, tentar compreender o de Helena e, principalmente, perdoar a ambas. Inicia-se, então, uma revisão do passado – processo doloroso, mas imensamente revelador, pautado por situações comoventes, personagens complexos e pequenas verdades que contêm a história de cada um.


 
    Mas.
    Mariana viu as duas listras azuis no teste de gravidez e teve uma certeza: precisava se sentir filha antes de se tornar mãe. Sempre houve duas Marianas: ela mesma, e a filha da mãe dela. Vítima de uma mãe insegura e transtornada com si mesma, ela criou duas personalidades, a que lida com sua mãe e ela mesma. 
     Quando Mariana era ela mesma, tinha um gênio forte, era uma pessoa corajosa e de espírito. A Mariana filha da mãe dela era outra pessoa. Era aquela sempre culpada pela mãe. A que falava demais. A que carregava uma dolorosa culpa e mágoa desde pequena, causadas por uma infância sem uma mãe para que tivesse o modelo do que é maternidade.  Causadas por uma mãe tão insegura a ponto de achar que sua filha estaria roubando seu marido. Ou sempre estragando tudo. 
    Mariana sempre tentou se aproximar de sua mãe, sempre tentou ser sua amiga, mesmo quando esta só queria cumprir o papel de mãe. Com o tempo, e muitos acontecimentos na vidas das duas, Mariana aprenderá de uma forma não necessariamente boa, que no relacionamento entre as duas ela nunca soube dar, e sua mãe nunca soube receber. Ao descobrir que está grávida, Mariana revive tudo o que aprendeu no relacionamento com a mãe e seu primeiro pensamento foi "com meu filho será diferente.", e realmente seria, uma vez que, ambas as partes aprendem a lidar uma com a outra. "A Filha da Minha Mãe e Eu" é uma história que vai muito além de decepções entre um relacionamento mãe-e-filha, ela aborda pontos fortes como família, união, drogas, e amor incondicional. Ela toca num ponto importante em todo o tipo de relacionamento: devemos nos colocar no lugar da outra pessoa, para que possamos entender a origem de seus atos e pensamentos, e ao compreendê-la, agir de forma correta perante a isso; muitas pessoas simplesmente ignoram este fato e agem de acordo com o que pensam e entendem das situações, sem levar em conta a outra ponta da história. Sua mãe prova ser a melhor mãe do mundo, prova sempre tê-la sido, a diferença é que Mariana aprendeu a enxergar isso e a passar isso para seu futuro filho.
     Maria Fernanda Guerreiro surpreendeu-me completamente com seu conto de estreia; não dava nem metade do que dou a essa história depois de tê-la lido, ou melhor, devorado em um dia. Esse é o tipo de obra que toca, que mexe com o leitor, que o envolve, como se ele fizesse parte da história. É inacreditável como tantos acontecimentos desenrolam-se em 277 páginas. Indico a todo o tipo de público.


Trechos: "Porque, uma parte da minha alegria era inventada, e a outra, não era minha."
"Muitas vezes não é o que se diz que magoa, mas o tom com que se fala faz toda a diferença."
" A verdade é que, por querer que ela fosse de outro jeito, acabei não valorizando o que eu tinha bem à minha frente: uma mãe que, se por um lado não soube ser minha melhor amiga, por outro foi a melhor mãe do mundo."
"Mas não é nos sentimentos demonstrados que residem nossos maiores erros e sim naquele amor que, apesar de existir, não se mostra. Os pais querem tanto ser justos com os filhos que, ás vezes, acabam sendo injustos."
"Se havia uma coisa que eu aprendera é que, se há algo a ser dito, a melhor hora é, na maioria das vezes, o agora. Deixar para depois só faz com que tudo pareça maior, sem, na verdade, ser."


Depressão pós-livro: 93%

Avaliação Final: 96%


Saturday, December 21, 2013

O Preço de uma Lição, por Frederico Devito e Gutti Mendonça


Sinopse
Os meninos são, sim, capazes de amar.
”Tem um ditado que diz que o amor é cego. É justamente o contrário. Quando você ama de verdade, é capaz de ver coisas que ninguém consegue. Falam que você não consegue enxergar os defeitos, pura mentira também! Você vê, estão todos lá. Mas vê também algo que só você pode, como lidar com eles e contorná-los. Então, o amor não é cego, ele é a maior lente de aumento que já inventaram.”
Como acontece esta coisa chamada amor? Nasce junto com a gente, mas não depende só de nós. A gente sofre e faz sofrer, ama e é amado. E com isso aprende muita coisa. Lições que trazem consequências, problemas e soluções.
O preço desse aprendizado transforma o garoto em um homem. Esta narrativa, cheia de incidentes, mostra que – ao contrário do que dizem algumas garotas – os meninos são, sim, capazes de amar.
Quais as transformações que o amor pode provocar na gente? O que ele ensina? Qual o seu preço? Acompanhe a jornada de um jovem, transformado pelo amor, à procura dessas respostas.

     Desde a sinopse, "O Preço de uma Lição" sempre me despertou o interesse por se tratar de uma história romântica escrita por autores homens. Pode parecer um detalhe sem importância, mas uma maioria absurda de livros que têm certo destaque nas livrarias hoje em dia e tratam de amor, foram escritos por autoras e não autores. Portanto, esse livro sempre me instigou a curiosidade. O segundo fator é por se tratar de escritores brasileiros, o que torna a realidade da história mais próxima.
     Sua frase de efeito "Amar muito não basta", é uma boa maneira de explicar uma grande lição que a história se encarrega de ensinar: Só o amor não é suficiente para cuidar de todos os problemas e desafios que a vida a dois traz, por maior que este seja grande. Ainda são necessários muitos outros elementos que só o tempo pode ensinar a um casal, como a compreensão, o cuidado, a tolerância, e muitos outros. Esta história nos leva a conhecer a vida amorosa de um rapaz paulistano, que representa o típico jovem universitário que não tem a intenção de estabelecer relacionamentos com compromissos, e só pensa em "curtir" sua juventude. Tudo muda quando ele conhece Juliana, uma moça que mexeu com ele como ninguém nunca havia feito. Até este ponto, a história parece caminhar para o lado clichê que sempre vemos nas prateleiras das livrarias. Mas não para por aí. O rapaz e a Juliana se aproximam, e começam a namorar, e a se descobrir e a se entender cada vez mais. Eles namoram por um grande período, porém, após 2 anos juntos, eles percebem que o grande amor que tinham um pelo o outro não foi o suficiente para guardá-los dos desafios de um relacionamento, e seu amor acaba sendo vítima de sua falta de maturidade amorosa, que é algo que podemos observar entre vários casais hoje em dia, independente da faixa etária.
     "O Preço de uma Lição" mostra, de forma prática, que o grande erro dos relacionamentos é as pessoas almejarem serem felizes ao unirem-se a outra pessoa, quando o seu objetivo em um relacionamento deveria ser fazer o outro feliz. Sua própria felicidade seria a consequência disto.
     Durante o desenrolar da história houve partes que considero desnecessárias na história, e outras partes, como o final, deixaram um gostinho de "quero mais". Ao todo a história teve um bom desenrolar; indicaria o livro a jovens e casais iniciantes no grande desafio que é o amor.

Trechos: "Quando você ama de verdade, é capaz de ver coisas que ninguém consegue. Falam que você não consegue enxergar os defeitos, pura mentira também! Você vê, estão todos lá. Mas vê também algo que só você pode, como lidar com eles e contorná-los. Então o amor não é cego, é a maior lente de aumento que já inventaram."
"- Como você vai fazer comigo quando quiser terminar? 
 - Vou te pedir em casamento, aí quando você aceitar, vai terminar nosso namoro e começar o noivado."
" Percebi que era preciso muita coragem para amar uma pessoa, coragem que não vem de si mesmo, mas é transmitida por quem amamos."
" Confiança é para quando a pessoa não está junto, pois quando está, um pode cuidar do outro."
"Alguns dizem que quando acabam as palavras, acontece o beijo. Não é verdade. A verdade é que o beijo acontece porque ele diz coisas que precisam ser ditas, e as palavras não conseguem dizer."
"Acredito que as pessoas não mudam. Acho que evoluem. São como pedras brutas, e quanto mais valiosas as experiências vividas e as lições tomadas, mais lapidadas essas pedras se tornam."


Depressão pós-livro: 91%
Avaliação Final: 87%