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Friday, August 28, 2015

Ele está de Volta, por Timur Vermes



Sinopse
Berlim, 2011. Adolf Hitler acorda num terreno baldio. Vivo.
As coisas mudaram: não há mais Eva Braun, nem partido nazista, nem guerra. Hitler mal pode identificar sua amada pátria, infestada de imigrantes e governada por uma mulher. As pessoas, claro, o reconhecem como um imitador talentoso que se recusa a sair do personagem. Até que o impensável acontece: o discurso de Hitler torna-se um viral, um campeão de audiência no YouTube, ele ganha o próprio programa de televisão e todos querem ouvi-lo. Tudo isso enquanto tenta convencer as pessoas de que sim, ele é realmente quem diz ser, e, sim, ele quer mesmo dizer o que está dizendo.
Ele está de volta é uma sátira mordaz sobre a sociedade contemporânea governada pela mídia. Uma história bizarramente inteligente, bizarramente engraçada e bizarramente plausível contada pela perspectiva de um personagem repulsivo, carismático e até mesmo ridículo, mas indiscutivelmente marcante.



   Brilhante. Eu poderia dizer que o enredo desta história é simplesmente brilhante. Transbordando criatividade até nos mínimos detalhes, "Ele está de volta" traz um Hitler praticamente autêntico para os dias de hoje em pleno ano de 2011. O confronto de gerações, com os traços ávidos da personalidade deste grande ator da história da humanidade é palco para um humor ácido e curioso. 
     Nunca havia ouvido falar desta obra de Timur Vermes, contudo, no mesmo instante em que li a sinopse, não me contive em comprar este livro. Se há um fator que me chama a atenção de cara em um livro é a criatividade. Independente da categoria ou gênero do escritor, a criatividade tem a capacidade de me conquistar em poucas linhas na sinopse, e creio que este seja o caso de vários outros leitores.
     Adolf Hitler amanhece em um terreno baldio, bem vivo, na Berlim de 2011. Ele não se recorda de nada que explicasse sua presença naquele local. As ruas são estranhas, mulheres se abaixam para recolher as fezes de seus cachorros,estrangeiras, devem ser! Os carros são extremamente estranhos, as pessoas, com pressa. Os jovens, usam aparelhos que tapam os ouvidos, devem ser os turcos. 
     Com a ajuda de um jornaleiro, Hitler tem acesso à uma emissora de TV. Todos acreditam que ele seja um belo artista, bem treinado, com discursos prontos, imitador profissional do ex ditador da história de seu país. Ele é contratado de imediato pela autenticidade de aparência e argumentos. Já em maior contato com a mídia, Adolf descobre como o homem evoluiu em muitos pontos inclusive na tecnologia, e saiu perdendo em outros. A televisão está presente em todos os lares, e é o símbolo do poder de disseminação da propaganda. Os datilógrafos foram substituídos pelos teclados que instantaneamente transmitem as letras ao computador. Os celulares, por mais multifuncionais que sejam, são uma perdição. Com muitas tarefas acopladas a um único aparelho, telefone, agenda, alarme, gravador, câmera, muitas atividades são agora atreladas a este. A vida está atrelada ao celular. 
    Nessa linha de pensamento, a maior crítica do livro gira em torno do poder da mídia e seu impacto na vida dos cidadãos. Hitler é conhecido por ter subido ao poder em meio a uma Alemanha que se encontrava aos pedaços, e com seus discursos extremamente persuasivos, convenceu milhares de pessoas acerca de sua opinião contra os judeus, estrangeiros e outras minorias. Dizimou milhões, e gerou uma ferida irreparável na história alemã. Mesmo assim, retornando 65 anos depois do ano de sua morte, ao engajar-se na mídia atual, usou-se do fato de que a propaganda está continuamente presente na vida das pessoas e criou programas de televisão, semanários, livros. A Alemanha nunca se esquecerá da ferida que este ditador lhe deixou. Mas nem tudo foi ruim, te diz a mídia. A nação ariana ainda tem muito a crescer, te diz Adolf Hitler. E em breve uma nova Alemanha reconquistada cresce.
     O brilhantismo do assunto abordado nessa obra não impede, contudo, que a leitura se torne um pouco cansativa. O autor poderia ter utilizado um maior dinamismo na escrita, principalmente em pensamentos hitlerísticos, que acabam por se tornar um pouco enfadonhos. Indico o livro ao público amante da história nazista e da Segunda Guerra Mundial. 

Trechos: "Assim, podemos afirmar que hoje os leitores também só consideram sofisticado o que é praticamente ininteligível para eles, e deduzem o essencial por meio de suposições a partir do tom reconhecidamente positivo."




Depressão pós-livro: 85%
Avaliação Final: 80%

Monday, December 8, 2014

Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, por Leandro Narloch



Sinopse
Cintos de castidade na idade Média? Eles nunca existiram – pelo contrário, manuais de medicina da época diziam que o prazer sexual era essencial à saúde das mulheres. Milhares de crianças foram exploradas nas fábricas inglesas do século 19? Está certo, mas é interessante lembrar que a revolução industrial, pela primeira vez, tornou o trabalho infantil desnecessário. E lembra aquela história de que as guerras e a miséria na África são consequência das fronteiras artificiais criadas pelos europeus? Há quase 30 anos historiadores e economistas africanos deixaram de acreditar nela abaixo da superfície, a história não é tão simples quanto aquele professor militante costumava nos ensinar. Depois do sucesso do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil e do Guia Politicamente Incorreto da América Latina é hora de finalizar o trabalho. É hora de jogar tomates nos equívocos sobre a história do mundo.


     Este é um livro contra o sistema; digo, este é O livro contra o sistema. Leandro Narloch vai do nazismo à revolução industrial, de Dalai Lama à agrotóxicos, para trazer a tona uma forte crítica ao sistema que constrói uma imagem do mundo que nem sempre é real. Hoje os jovens crescem com uma linha de pensamento que é afetada pelos interesses daqueles no controle, e nem sempre têm acesso às informações verdadeiras, ou, às informações do ponto de vista verdadeiro.
     O autor inicia o livro de forma um tanto pacífica, visto que o primeiro assunto abordado é o Império Romano. Entretanto, as páginas vão sendo enriquecidas conforme os mitos vão sendo "desmascarados"; A vida dos samurais era tranquila até demais, eles são taxados de bêbados e fofoqueiros; Galileu era um bom católico; a Revolução Industrial acabou com o trabalho infantil; Dalai Lama nem sempre fora o mestre zen que todos conhecem; Gandhi era contra cotas, e sua influência aumentou a miséria na Índias; os Agrotóxicos salvaram florestas e bilhões de vidas...Ao tratar sobre o nazismo e o socialismo, o autor mostra que nenhum homem é completamente bom, e que a humanidade está e sempre esteve sujeita a essa natureza humana. Ou seja, independente de quem esteja no controle, ou a forma que o mesmo é exercido, essa tal natureza sempre acaba reinando. 
     O fato é que o autor se utiliza de controvérsias para apresentar um novo ponto de vista dos momentos e personagens históricos, trazendo ao leitor uma nova perspectiva. Ao meu ver, nem todas são pertinentes, contudo é válida sua discussão. Em alguns casos, Narloch distorce eventos históricos, e por conta disso não creio que o livro seja realmente um "guia" propriamente dito, mas sua mensagem geral é sim importante: nem tudo o que nos ensinam, nem tudo que é do senso comum da história é real, ou foi compreendido por nós da forma adequada; essa crítica ao sistema e sua imposição de informações é o que realmente enriquece o livro, e nesse quesito, ele não deixa a desejar em nada.
     É válido ressaltar a qualidade das ilustrações e acabamento do livro, além de uma extensa referência bibliográfica para todas as informações apresentadas.



Trechos: " Dependendo do ânimo e dos ressentimentos de uma época, o passado muda, ganha personagens, enredos e novas razões para as pessoas se sentirem magoadas com a história."
" Ao libertar as pessoas do trabalho do campo e dar força a indústrias de entretenimento, a Revolução Industrial multiplicou o número de indivíduos que poderiam se dar ao luxo de passar a vida em bibliotecas e escolas discutindo ideias - e reclamando (que grande ironia) dos terríveis efeitos do capitalismo."
"Nazismo e comunismo se tornaram, assim, lados opostos da mesma moeda revolucionária - ou "gêmeos heterozigotos", como descreve o historiador francês Pierre Chaunu. Um lado pretendia exterminar o outro, mas ambos queriam varrer a ordem capitalista para criar um mundo perfeito, sem conflitos de classe - e nenhum deles via problema em matar alguns milhões e alcançar sua versão do paraíso terrestre."
"Millôr Fernandes explicou tudo quando disse: "O comunismo é uma espécie de alfaiate que quando a roupa não fica boa, faz alterações no cliente.""



Depressão pós-livro: 70%
Avaliação Final: 75%


Saturday, April 19, 2014

Fahrenheit 451, por Ray Bradbury



Sinopse
A obra de Bradbury descreve um governo totalitário, num futuro incerto mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instaladas em suas casas ou em praças ao ar livre. O livro conta a história de Guy Montag, que no início tem prazer com sua profissão de bombeiro, cuja função nessa sociedade imune a incêndios é queimar livros e tudo que diga respeito à leitura. Quando Montag conhece Clarisse McClellan, uma menina de dezesseis anos que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo,  ele percebe o quanto tem sido infeliz no seu relacionamento com a esposa, Mildred. Ele passa a se sentir incomodado com sua profissão e descontente com a autoridade e com os cidadãos. A partir daí, o protagonista tenta mudar a sociedade e encontrar sua felicidade.

     
A temperatura na qual o livro pega fogo e queima...

   Fahrenheit 451 é uma verdadeira relíquia da história do homem. Ray Bradbury previu uma sociedade do futuro em 1953 e acertou praticamente em cheio.
   Fahrenheit 451 é a temperatura em que o livro queima - esta ideia faz jus a profissão de Guy Montag, homem que no inicio da história é um bombeiro,e que nessa sociedade futurística tem a função de queimar em vez de apagar o fogo - queimar livros. A humanidade chegou a conclusão de que livros, filosofia, línguas, história e o conhecimento não dizem nada com nada, sendo gradualmente dispensados da vida dos homens. Professores, pesquisadores e escritores não existem mais. Todos concentram-se nos grandes telões que têm nas salas de suas casas, que apresentam grande importância ao ponto de serem conhecidos como a "família" de cada indivíduo. 
    Neste ambiente, Montag conhece Clarisse McClellan, personagem jovem que é considerada estranha e anti social por parar para refletir sobre o mundo ao seu redor e sobre as atitudes das pessoas nessa sociedade - como tudo é mais superficial, e as relações pessoais não têm mais espaço.
    Após algumas conversas com esta jovem, Montag passa por uma revolução em si mesmo e passa a se indagar sobre o mundo no qual está vivendo e porque todos agem da forma que agem. Ele passa a ser crítico. Por que as pessoas são proibidas de ler? Por que todos não ligam mais para o simples da vida, mas sim para o que se passa nos grandes telões? Por que a verdade de suas vidas tornou-se o que a mídia e o governo dizem, e não seu próprio pensamento reflexivo?
     Montag vê se com um novo olhar sobre tudo a sua volta, e resolve seguir o seu caminho para encontrar a felicidade. Assim como na Teoria da Caverna de Platão, sair de sua caverna de conforto nessa sociedade totalitária tem seu peso e seu sacrifício, porém Montag mesmo assim o enfrenta e questiona tudo e todos.
     A obra de Ray Bradbury é brilhante, e explora uma ótima análise do ser humano. Esta história foi publicada no ano de 1953 - ano em que as transmissões de TV foram criadas, a década de 50, os "anos dourados" com grandes avanços na tecnologia. Este escritor simplesmente pôde prever como as sociedades estariam dali a alguns anos, e ele não errou. Quantas famílias hoje em dia perderam seu contato pessoal e dão mais atenção ao que a grande mídia controladora diz, aos grandes "telões" em suas salas? Quantos são aqueles que não concordam com o governo e agem contra isso? 
     Este livro tem fundamentos inteligentes, e mesmo tendo sido escrita há 61 anos atrás, nos traz verdades presentes nos dias de hoje. Há grandes lições e aprendizados aqui, indico a todo o público que deseja enxergar a sociedade de forma diferente.

Quer saber o que outros leitores estão achando deste livro? Clique aqui.

Trechos: " Os livros, assim diziam os malditos críticos esnobes, eram água de louça suja. Não admira que parassem de ser vendidos, disseram os críticos. Mas o público, sabendo o que queria, com a cabeça no ar, deixou que as histórias em quadrinhos sobrevivessem. E as revistas de sexo em 3D, é claro. Aí está, Montag. A coisa não veio do governo. Não houve nenhum decreto, nenhuma declaração, nenhuma censura como ponto de partida. Não! A tecnologia, a exploração das massas e a pressão das minorias realizaram a façanha, graças a Deus."
" Ela não queria saber como uma coisa era feita, mas porquê. Isso pode ser embaraçoso. Você pergunta o porquê de muitas coisas e, se insistir, acaba se tornando realmente muito infeliz."
" Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe dê os dois lados de uma questão para resolver; dê-lhe apenas um. Melhor ainda, não lhe dê nenhum. Deixe que ele se esqueça que há uma coisa como a guerra. Se o governo é ineficaz, despótico e ávido por impostos, melhor que ele seja tudo isso do que as pessoas se preocuparem se ele é ou não."
" O televisor é "real", É imediato, tem dimensão. Diz o que você deve pensar e o bombardeia com isso. Ele tem que ter razão. Ele parece ter muita razão. Ele o leva tão depressa às conclusões que sua cabeça não tem tempo para protestar: "Isso é bobagem!"


Depressão pós-livro: 100%
Avaliação Final: 100%

Thursday, September 12, 2013

O Caçador de Pipas, por Khaled Hosseini

                                             Sinopse
O livro conta a história da amizade entre Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o passado.
  
     "O Caçador de Pipas" consiste em uma narrativa emocionante do início ao fim, um incrível romance de estreia do autor Khaled Hosseini, que apesar de ter sido lançado em 2007, até hoje envolve leitores de todo o mundo.
     A obra trata da história de dois meninos afegãos, Hassan e Amir, que viviam na época de 1970, quando seu país ainda não havia sido tomado pelas forças do Talibã e dos ataques comunistas. Eles viviam uma vida feliz, apesar da grande diferença social que havia entre eles, por serem de classes e etnias diferentes. Eles viviam praticamente juntos e compartilhavam de uma boa amizade, porém, Amir sempre teve uma vida mais avantajada, por ter nascido rico e em uma boa família, mas não tinha o que mais queria que era a apreciação e o carinho de seu pai. Hassan, seu amigo hazara,sempre foi mais valente e corajoso, e sempre protegeu o amigo. Hassan é representado como uma alma ingênua e pura, de um caráter humilde.
     No inverno de 1975 ocorre um evento que mudaria a vida dos dois meninos para sempre; após um campeonato de pipas, Hassan prova sua lealdade e amizade por Amir, porém, acaba sendo traído por este, que tenta corrigir seus erros, que só se tornam maiores. Em um meio de traições e sofrimento, o Afeganistão é tomado pelas forças talibanesas, que trazem desgraças e mortes e destruição para os afegãos, que nunca mais viriam a vida que levavam até a época de 1970.
    Os dois meninos crescem, e Amir viaja para os Estados Unidos, e eles perdem o contato. Mas as lembranças sempre estiveram ali: erros do passado que atingiriam o futuro mais do que eles imaginavam. 
     O Caçador de Pipas foi escrito por um autor afegão que também viveu nos Estados Unidos, e leva o leitor a enxergar tudo o que ouve-se falar sobre a cultura muçulmana e os sofrimentos dos países do Oriente Médio de uma forma diferente, vemos tudo através do olhar deles, daqueles que estiveram lá e sofreram. O leitor tem a oportunidade de ser imergido na cultura afegã, com um texto rico em palavras em farsi, e items da cultura do Afeganistão. Através desses diferentes olhos, o leitor passa a enxergar como o Afeganistão era antes de ter sido tomado por forças opressoras, e após,  pode observar o impacto que isso teve na vida das pessoas que lá habitavam, e ainda, O Caçador de Pipas pode quebrar pré-conceitos que, inevitavelmente, (desde sempre e principalmente depois do ataque às Torre Gêmeas em 11 de Setembro de 2001), são encontrados no Ocidente em relação ao Oriente Médio. 
     Admiro muito esta obra de Khaled Hosseini, a qual me envolveu mais do que as expectativas que tinha pelo o livro. O Caçador de Pipas é uma leitura forte, e pesada, porém traz muitas boas mensagens, e possui uma trama envolvente, que prende o leitor do início ao fim.


Trechos: " E esse é o problema das pessoas que são sinceras: acham que todo mundo também é."
" Mas é melhor uma verdade que dói do que uma mentira que conforta."
" No Afeganistão, ter alguma coisa que viesse dos Estados Unidos,e , principalmente, que não fosse de segunda mão, era sinal de riqueza."
" Quando você mata um homem, está roubando uma vida. Está roubando da esposa o direito de ter um marido, roubando dos filhos um pai. Quando mente, está roubando de alguém o direito de saber a verdade. Quando trapaceia, está roubando o direito à justiça. Não há ato mais infame do que roubar."
" Pode ser injusto, mas o que acontece em poucos dias, às vezes até uma única vez, pode alterar o rumo da vida inteira, Amir."
" Sempre dói mais ter algo e perdê-lo do que não ter aquilo desde o começo."
" Mas o tempo pode ser uma coisa bem voraz - às vezes se apodera de todos os detalhes só para si mesmo. "
" Só permitem que alguém seja assim tão feliz se estão se preparando para lhe tirar algo."


Depressão pós-livro: 98%
Avaliação Final: 95%

    

Saturday, September 7, 2013

O Símbolo Perdido, por Dan Brown

                                             Sinopse
Depois de ter sobrevivido a uma explosão no Vaticano e a uma caçada humana em Paris, Robert Langdon está de volta com seus profundos conhecimentos de simbologia e sua brilhante habilidade para solucionar problemas. Em O símbolo perdido, o célebre professor de Harvard é convidado às pressas por seu amigo e mentor Peter Solomon - eminente maçom e filantropo - a dar uma palestra no Capitólio dos Estados Unidos. Ao chegar lá, descobre que caiu numa armadilha. Não há palestra nenhuma, Solomon está desaparecido e, ao que tudo indica, correndo grande perigo. Mal'akh, o sequestrador, acredita que os fundadores de Washington, a maioria deles mestres maçons, esconderam na cidade um tesouro capaz de dar poderes sobre-humanos a quem o encontrasse. E está convencido de que Langdon é a única pessoa que pode localizá-lo. Vendo que essa é sua única chance de salvar Solomon, o simbologista se lança numa corrida alucinada pelos principais pontos da capital americana: o Capitólio, a Biblioteca do Congresso, a Catedral Nacional e o Centro de Apoio dos Museus Smithsonian. Neste labirinto de verdades ocultas, códigos maçônicos e símbolos escondidos, Langdon conta com a ajuda de Katherine, irmã de Peter e renomada cientista que investiga o poder que a mente humana tem de influenciar o mundo físico. O tempo está contra eles. E muitas outras pessoas parecem envolvidas nesta trama que ameaça a segurança nacional, entre elas Inoue Sato, autoridade máxima do Escritório de Segurança da CIA, e Warren Bellamy, responsável pela administração do Capitólio. Como Langdon já aprendeu em suas outras aventuras, quando se trata de segredos e poder, nunca se pode dizer ao certo de que lado cada um está. Nas mãos de Dan Brown, Washington se revela tão fascinante quanto o Vaticano ou Paris. Em O Símbolo Perdido, ele desperta o interesse dos leitores por temas tão variados como ciência noética, teoria das supercordas e grandes obras de arte, os desafiando a abrir a mente para novos conhecimentos.


     Como já era de se esperar, Dan Brown superou as expectativas para sua obra O Símbolo Perdido. Apesar de já ter lido outras obras renomadas do autor como "Anjos e Demônios" e "O Código da Vinci", e estar acostumada com a escrita de Dan Brown, me impressionei mais uma vez com sua capacidade de criar uma narrativa repleta de enigmas, suspense, e um mistério inteligente. O Símbolo Perdido narra mais uma aventura do professor e simbologista de Harvard Robert Langdon ao desvendar  mensagens ocultas e mistérios do passado - uma trama que envolve a irmandade da Francomaçonaria e a sua relação com os homens do poder e de maior prestígio dos Estados Unidos. A essência da história ocorre em volta da busca pelo desvendamento da antiga pirâmide maçônica que, segundo sua lenda, carrega uma mensagem para que, aquele que é merecedor, possa desvendá-la e alcançar o poder e o conhecimento para a apoteose - o fenômeno em que o homem torna-se um deus, através de um conhecimento supremo.
     O que sempre me cativa e torna as histórias de Dan Brown ainda mais interessantes são a sua associação de informações verídicas - como a Maçonaria e símbolos ocultos em cidades como Washington que remetem-nos a mistérios do passado à sua história. Esses fatos realmente existem e estão presentes na sociedade em que vivemos, e Dan Brown divulga como que o mundo pode ser visto através de outros ângulos e como isso pode mudar nossa percepção do mundo. Não acredito em todas as opiniões com referência religiosa e intelectual exibidas no livro, mas acho que cada leitor deve tirar proveito das mensagens de conhecimento que Dan Brown nos transmite, bastando filtrar aquilo que lhe pareça coerente a sua opinião; acho válido considerarmos tudo, e somente após conhecer, termos uma visão crítica.
     O Símbolo Perdido trata de alguns assuntos que não são muito divulgados, a história dos Estados Unidos, e como, desde a sua Independência pregava-se um país de fundações cristãs, porém seu próprio Capitólio, em Washington, serve como prova de que desde os seus fundadores, os Estados Unidos é envolvido com artes e magias ocultas que foram encobertas por sua faixada de país cristão - Na Rotunda do Capitólio dos EUA há uma pintura que demonstra o pai de sua nação, George Washington, com uma pedra angular, e a representação de deuses ao seu lado, que lhe trariam o conhecimento e a tecnologia àquele país.
      A história explora também um novo campo de estudo: a ciência noética, a qual envolve filosofia e ciência explorando a capacidade da mente humana trabalhar com pensamentos e estes, terem o poder de alterar o mundo físico. O Símbolo Perdido traz mensagens que estão diretamente ligadas à ciência noética, o que torna o livro ainda mais rico intelectualmente. 
        Um ponto em que não concordei com o livro foi na contradição em algumas mensagens transmitidas pela história envolvendo a Bíblia - o autor criticava a Bíblia implicitamente em alguns momentos, e em outros, quando era de seu interesse provar um ponto, usava-se de seus versículos para solidificar sua opinião.
     O Símbolo Perdido é uma leitura densa, repleta de informações e adrenalina - a história ocorre durante um dia em 489 páginas, o que faz o leitor ávido para virar a página a cada capítulo. O suspense está sempre presente, e revelações que mudam totalmente o caminhar da narrativa invadem os últimos capítulos do livro, o que cria no leitor um efeito de reconhecimento ao fato de que, ao mudar o ângulo em que vemos o mundo, tudo a nossa volta mudará também. Este é um livro que nos prende, devoramos cada capítulo e nos surpreendemos muito com cada um deles. Não vemos a hora de chegar no final, para descobrirmos qual é o símbolo tão importante que dá para quem o encontrar, tamanho saber. A cada capítulo você se surpreende mais do que no anterior, e o fim é totalmente inesperado. Nem em seus maiores devaneios, iria descobrir como termina esta história.
     Indico O Símbolo Perdido principalmente ao público adulto, por conter cenas fortes, de impacto. A história resultaria em uma ótima adaptação para o cinema. Dan Brown mais uma vez impressionou os leitores com sua capacidade de escrever conhecimento, mistério e suspense em uma só trama de dinâmica incessante.

Trechos: "Às vezes uma lenda que dura muitos séculos... tem um motivo para durar."
"Abram a mente, meus amigos. Todos nós tememos aquilo que foge à nossa compreensão."
"Quanto mais o homem aprendia, mais dava conta de sua ignorância."
"O conhecimento é uma ferramenta e, como todas as ferramentas, seu impacto está nas mãos do usuário."
"A aceitação generalizada de uma ideia não é prova de sua validade."
"A má compreensão dos símbolos de uma cultura é uma fonte comum de preconceito."
"A riqueza é algo comum, mas o saber é raro."
"As grandes mentes são sempre temidas pelas mais medíocres."
"Todas as grandes verdades são simples."
"Ás vezes basta uma ínfima mudança de perspectiva para vermos algo conhecido sob uma luz totalmente nova."
"Seremos capazes de projetar a realidade em vez de simplesmente reagir a ela."

     
     Depressão pós-livro: 90%
Avaliação Final: 95%

Friday, February 15, 2013

O Código da Vinci, por Dan Brown


Sinopse
''Um assassinato dentro do Museu do Louvre, em Paris, traz à tona uma sinistra conspiração para revelar um segredo que foi protegido por uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo. A vítima é o respeitado curador do museu, Jacques Saunière, um dos líderes dessa antiga fraternidade, o Priorado de Sião, que já teve como membros Leonardo da Vinci, Victor Hugo e Isaac Newton. Momentos antes de morrer, Saunière consegue deixar uma mensagem cifrada na cena do crime que apenas sua neta, a criptógrafa francesa Sophie Neveu, e Robert Langdon, um famoso simbologista de Harvard, podem desvendar. Os dois transformam-se em suspeitos e em detetives enquanto percorrem as ruas de Paris e de Londres tentando decifrar um intricado quebra-cabeças que pode lhes revelar um segredo milenar que envolve a Igreja Católica.
Apenas alguns passos à frente das autoridades e do perigoso assassino, Sophie e Robert vão à procura de pistas ocultas nas obras de Da Vinci e se debruçam sobre alguns dos maiores mistérios da cultura ocidental - da natureza do sorriso da Mona Lisa ao significado do Santo Graal. Mesclando com perfeição os ingredientes de uma envolvente história de suspense com informações sobre obras de arte, documentos e rituais secretos, Dan Brown consagrou-se como um dos autores mais brilhantes da atualidade. "O Código Da Vinci" prende o leitor da primeira à última página.''



     Não pensando em variar nem um pouquinho, Dan Brown continua lá em cima no meu conceito, em '' O Código da Vinci''.    Novamente, Brown narra uma ficção extremamente inteligente, que explora religião, história, simbologia e, é claro, aquela minúscula pitada de romance muito bem-vinda em meio a uma obra repleta de mistérios e suspense.
     'O Código da Vinci' se assemelha bastante a ' Anjos de Demônios', obra do mesmo autor, principalmente em sua parte inicial; começamos logo com um impacto, um assassinato, que dá origem a corridas contra o tempo que vão desvendando mistérios do passado, que vão chegando a vários ápices de intensidade, que acabam por desenbocar num final não esperado, porém inteligente, que por sua vez, nos engana com o próprio engano, e aí sim, o verdadeiro final é revelado. E ao final do livro é impossível o leitor não parar para refletir sobre várias questões que envolvem até sua existência e cultura.
    O livro se baseia na busca pelo Santo Graal, que na realidade, seriam documentos que afirmam que Jesus Cristo era casado com Maria Madalena, e teve decendentes. E ainda, o livro também afirma que a Bíblia Sagrada atual é como um 'copia e cola' resultante dos interesses do rei da época, que ia 'escolhendo' quais evangelhos pôr na Bíblia,de acordo com seus interesses. O cristianismo que conhecemos hoje, segundo Dan Brown, em sua metade, foi mesclado com a religião da época de Adoração ao Sol. Não é á toa que o 'Dia Sagrado' das religiões até hoje é o Domingo, que no inglês, se escreve Sun-Day, ou Dia do Sol.
     Dan Brown também explora o assunto sobre o controle que a Igreja Católica mantém sobre o mundo. A fé tornou-se algo político e uma forma de manipulação pela Igreja.  E acredito que, por isso, '' O Código da Vinci'' tenha feito mais sucesso do que ''Anjos de Demônios'', por tratar mais profundamente do campo da religião; pois na minha opinião, 'Anjos e Demônios'' vem com mais mistérios e especulações que têm mais a ver com a situação atual do mundo. Não desmerecenco, claro, ' O Código da Vinci' que também é uma obra fantástica.
     Por se tratar de assuntos bastante polêmicos, são inúmeros os livros e comentários que afirmam que as informação ditas como factuais no livro são falsas, e que tudo é uma farsa.  Acredito que nem tudo realmente seja verdade, mas acredito em grande parte, pois, em geral o livro afirma que ' Quem escreve a história é o vencedor', e isso é óbvio, podemos comprovar isso claramente hoje; até  mesmo no ''''''Descobrimento do Brasil'''''''', onde os portugueses Venceram, E ELES escreveram a história que hoje somos obrigados a saber. É facil identificarmos hoje os homens e sua ganância em busca principalmente de riqueza, prestígio e poder. 
      Apesar de não ser muito fã daqueles finais sugeridos pelos autores que dependem da sua imaginação para criá-los, posso dizer que Dan Brown soube lidar muito bem com isso. E aliás, ' O Código da Vinci' deixa um gostinho já de saudade das aventuras de Roberrt Langdon, que ainda bem, não acabam por aqui. 


Todo mundo adora uma conspiração.
Trecho: Os homens fazem muito mais o que temem, do que para obter o que desejam. 


Depressão pós-livro: 80%

Avaliação Final: 100%