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Wednesday, July 16, 2014

Passaporte Diplomático, por Yeda Assumpção


Sinopse
Passaporte diplomático é o relato da vida de Yeda Assumpção, mulher do diplomata Roberto Assumpção, que teve o privilégio de participar ativamente da vida diplomática no exterior durante 29 anos. Yeda compôs sua trajetória, ao lado do marido, vivendo em países longínquos e muito diferentes entre si, com costumes e ambientes diversos, e assim obteve a exata convicção patriótica de que o verdadeiro diplomata é o mais perfeito emissário de sua pátria — e quem o acompanha também. Neste livro de memórias, que ela prefere chamar de lembranças — o primeiro do gênero no Brasil — a embaixatriz revela segredos e recorda emoções vividas, para reconstituir tudo o que testemunhou durante sua vida no mundo da diplomacia brasileira fora daqui. Yeda começou a trilhar este caminho muito cedo, como consulesa em Milão, aos 20 anos, e depois partiu para a Argélia ao lado de Roberto, país que mantinha estreita relação com o Brasil de então, e que muito a marcou. Yeda conta que “a minha vida pode ser descrita como antes e depois da Argélia. Foi lá que botei o pé no real, que comecei a deixar para trás alguns pedaços da minha inocência, das ilusões da juventude”, diz ela. 


     Apaixonada pela carreira diplomática, encantei-me com o título que este livro carrega desde o início. Não demorou muito para que me encontrasse absorta nas lembranças de uma vida que almejo - ou quase. Assim como o amor por esta carreira, a leitura deste livro não tardou; praticamente devorei suas páginas, ávida por captar, mesmo através da leitura, o glamour e desafios de uma vida nômade.
     Yeda Assumpção tornou-se embaixatriz ao se casar com Roberto Assumpção, embaixador brasileiro. Já aos vinte anos, ela embarcou na grande aventura de 'deixar pedaços de sua inocência para trás' e viver em outras culturas com a missão de representar o Brasil - tarefa peculiar, especialmente durante a época em que ocupou esse cargo, uma vez que o Brasil encontrava-se em período de ditadura militar.
     Aprecio com grande respeito a forma como Yeda trata da vida de uma embaixatriz neste livro. Ela não só exalta a parte glamourosa da carreira, como o luxo e jantares e cerimônias igualmente a altura com o corpo diplomático, como também descreve os desafios de representar toda uma nação e tomar decisões importantíssimas em momentos delicados. Muito além da habilidade do 'pensar rápido', é necessário um extremo cuidado com a forma de se portar, se vestir, pois cada detalhe transfigura-se como a visão que outros representantes terão de toda uma nação.Outro ponto abordado que merece destaque é a demonstração da importância da embaixatriz, da esposa do embaixador na organização do bem-estar diplomático.
     A autora descreve sua estada em vários países durante três décadas; as amizades construídas em cada canto do mundo, as peculiaridades dos diferentes sistemas políticos dos países e das religiões. Observo em Yeda um ponto chave essencial para a carreira: a visão de respeito e apreciação a cultura alheia, mesmo que este não envolva concordância. Posso afirmar que ela realmente viveu cada cultura, absorveu experiências, cresceu como pessoa, descobriu sua espiritualidade. 
     Não só aos aspirantes a carreira, mas a todos os interessados em diferentes culturas e visões de mundo, este livro preenche perfeitamente a categoria; sendo o primeiro brasileiro do gênero, publicado em 2002.
     Acredito que a diplomacia é um dom; um dos que, pessoalmente, possuo mais respeito, uma vez que envolve o controle de si mesmo e tolerância para com o diferente. Aquele que é capaz de se dominar, pode conquistar o mundo.

Trechos: "Na carreira diplomática, a vida é feita de chegadas e partidas, amizades e adeuses!"
"Na verdade, o glamour nas embaixadas tem uma função importante: é arma poderosa no processo de sedução diplomático."
"O corpo diplomático passa então a fazer as vezes da família que ficou em nosso país de origem: como todos estão vivendo circunstâncias semelhantes, há uma compreensão prévia, sem necessidade de explicações, e um tipo de solidariedade que nunca mais encontrei pela vida afora."
"Nunca se falou e discutiu tanto sobre o amor como nos dias em que vivemos, mas nunca também se amou tão pouco e de modo tão pobre."

Depressão pós-livro: 100%
Avaliação Final: 90%

Saturday, March 22, 2014

Le Divorce, por Diane Johnson


Sinopse
À Francesa, nome brasileiro de Le Divorce, conta a história de Isabel Walker, uma jovem americana que vai a Paris visitar a irmã grávida, Roxeanne, depois que ela é abandonada pelo marido, Charles-Henri de Persand. Ao chegar na cidade, acaba se apaixonando pelo diplomata francês Edgard, que é casado. A trama se desenvolve a partir dos problemas enfrentados pelas duas irmãs. Roxy terá que se divorciar do marido, e Isabel, além de estar vivendo um romance proibido que resultará em um grande escândalo, precisa se adaptar aos costumes e à cultura parisienses.

     Através de uma trama engraçada e ao mesmo tempo rica em tensão, Diane Johnson traz para seus leitores uma história que aborda muito bem as divergências entre as culturas americana e francesa, seus pontos fortes e fracos, contando a aventura de Isabel Walker, uma californiana que decide passar uma temporada na França com sua meia-irmã que casou-se com um francês. Roxeanne, ou Roxy, está grávida, tem uma filha pequena, e assim que Isabel chega a Paris, o marido de Roxy a abandona. O grande enredo do livro aborda a recepção das irmãs pelos franceses, e as dificuldades enfrentadas pelas famílias de Roxy e Charles-Henri, seu marido, para a negociação do divórcio. Aparentemente o divórcio não é um processo de fácil execução na França, principalmente quando se possui bens para serem repartidos. Enquanto Roxy luta para se manter de pé, mesmo grávida, nessa confusão, sua irmã Isabel envolve-se secretamente com Edgard, um homem importante no cenário político internacional da França, que é da família do marido de Roxy. 
     Este livro é como uma grande bola de neve, bem premiada com toques franceses e americanos, que ao final, estoura, chegando a consequência esplêndidas e trágicas.
     Desde o início tinha uma expectativa mediana sobre esse livro, esta que foi mudando conforme a leitura caminhava - Diane Johnson possui uma escrita suave e informativa, e isso contribuiu para que a história fosse além das expectativas que tinha. Acho válida esta leitura durante um período como as férias, por tornar-se densa em alguns momentos. Um ponto negativo do livro foi a tradução, muitas palavras foram traduzidas por palavras de um sentido não muito claro em português. Indico principalmente aos amantes de diferentes culturas.

Confira os comentários de outras pessoas sobre este livro aqui.

Trechos: " Não é fácil ser americano (...) Esta é a verdade. É difícil. Nós viemos para cá para fugir de uma obrigação moral. Somos sensíveis demais... digo, nós, os expatriados, embora deteste usar esta palavra. Quando se está de volta, e se vê o que se vê, sofre-se com isso."
"Não é nada fácil ser recém-chegado a um país do qual não se conhece a língua, e de cujos costumes ou você desconfia, ou teme."
"Se você se mantém calma quando algo está errado, as pessoas acham você fria e insensível."
" Não chego a dizer que a verdade necessariamente a tornará livre, mas é melhor do que o pietismo, porque, com ela, você conhece sua própria posição."
"Eu admiro os franceses pela maneira despreocupada com que compram, pelo seu respeito às coisas criadas pela mão humana."
"Aprendi a não deixar o amor seguir seus próprios caminhos misteriosos e fatais - é preciso dar uma orientação ao amor."
"Aqui há a noção de que a felicidade intermitente estraga os outros momentos da vida, enquanto que deveria inundá-los todos, incendiando-os com labaredas de alegria."
"Na França, gostos simples, modos educados, afeições domésticas, e a ligação que os homens sentem pelo seu lugar de nascimento são percebidos como grandes garantias da tranquilidade e felicidade do Estado. Mas, na América, nada parece ser mais prejudicial do que essas virtudes."
"Em princípio, a memória serve para informar o presente, permitindo aprender com nossos erros. Por que voltar?"
"Mas há uma diferença fundamental: vocês, americanos, pensam que se o povo quer algo, então deve ser permitido. Depois se castigam com torpeza, por terem permitido algo que vocês verdadeiramente desprezam. É esse o paradoxo que vai acabar por destruí-los."


Depressão pós-livro: 34%
Avaliação Final: 73%

Friday, February 15, 2013

Diário de dois viajantes, por Flávio Henrique P. da Costa


    Sinopse
     ''O Diário de Dois Viajantes é, primeiramente, um guia para os viajantes, com dicas interessantes para um melhor planejamento de sua viagem, tais como elaboração do roteiro, sites úteis para compra de passagens aéreas e reserva de hotéis, procedimentos nos aeroportos e muito mais!
     A segunda parte do livro relata, de maneira divertida e com os devidos incrementos culturais, a nossa passagem pela Europa, em viagem realizada entre 16 de Dezembro de 2006 e 3 de janeiro de 2007. Chegando inicialmente em Roma, a Cidade Eterna, conhecemos a capital mundial do catolicismo, o Vaticano, para, em seguida, conhecermos Londres, com toda sua tradição e modernidade; passamos um Natal maravilhoso em Berlim, junto a entes queridíssimos,e pudemos ver de perto a constante reconstrução dessa cidade surpreendente; Praga, a capital da República Checa, se revelou linda e adorável a esses dois cariocas; e, ogrand finale, foi flanar pela capital mundial do romantismo, Paris, com seu idioma irresistível, suas avenidas largas, sua história e sua cultura. E tudo isso com direito à mala perdida, voo cancelado, confusões dentro do avião, neve e outros fatos não menos engraçados.''
 
     Desde o início, ''Diário de dois viajantes'' já chamou a minha atenção pelo seu título; viagem, nada melhor do que viajar.
     Encarando o leitor como seu melhor amigo, Flávio Henrique se utiliza de uma linguagem bem descontraída, usual, e acima de tudo, engraçada; esbanjando ''!!!!'' e "???'', sem contar o " LEDO ENGANO", que já era sinal de confusão. Como se já não bastassem as situações mega engraçadas. Aliás, ainda me pergunto como alguém é capaz de se meter em tanta encrenca ao mesmo tempo! ( Espero que não seja tão difícil assim andar de metro na Europa ).
     Em plena Europa, Flávio e sua esposa prezavam a economia. O café da manhã do hotel virava almoço; ao pegar vários ketchups no restaurante, atitude bem brasileira, Flávio quase entrou em pânico ao descobrir que custavam 20 centavos de euro cada um. E leiam-no positivamente, isso tudo dá um toque bem divertido ao livro!
     Uma das coisas que mais admirei no livro, além das descrições dos locais, e da viagem em si, foi a relação entre Flávio e sua esposa Anna Karina. A maneira como o autor se referia á ela, com '' Meu anjo'', ou ''Minha linda'' deu um toque bem fofo á viagem. E acho difícil ainda existir algum homen que pare no meio da PIAZZA, Itália, para simplesmente fazer uma massagem nos pés de sua mulher. Incrível!
     Acho interessante a escolha das cores da capa, relacionando-se com as bandeiras dos países visitados, e do Brasil.
     ''Diário de dois viajantes'' é uma aventura super engraçada, que, além de conter uma sessão especial de orientação para pré - viajantes, com informações valiosas, nos mostra que mesmo nos piores momentos, quando realmente tudo dá errado, e dá aquela vontade de desistir ou se enfurecer, devemos parar, sorrir, e simplesmente curtir.

Trecho: Berlim, restaurante grego. '' Abrimos o cardápio e... bem, marque a opção abaixo que você acha que aconteceu:

1) (  ) O cardápio estava todo em alemão.
2) (  ) O cardápio estava todo em grego.
3) (  ) O cardápio estava em ambos os idiomas, o que facilitou a compreensão.
4) (x) Somente a primeira parte da terceira opção é verdadeira.''

Depressão pós-livro: 60%


Avaliação Final: 93%